2021-04-08

SOLAR DA FAMÍLIA FRAGOSO – Covilhã

(Nota: Próximamente irá ser reformulado com novos dados entretanto descobertos)

                  João Manuel da Silva de Figueiredo Fragoso (c. 1774)

Covilhã, Rua do Senhor da Paciência, Solar dos Fragoso
 

O SOLAR dos FRAGOSO na Covilhã, localizado no início da estreita e sinuosa Rua da Senhora da Paciência, defronte da fachada lateral esquerda da Igreja de Santa Maria Maior[1], é uma grande casa cuja configuração actual datará dos primórdios do século XVIII. Provavelmente é fruto da junção de outras casas mais pequenas com ampliações sucessivas ao longo do tempo. Antes de ser dos Fragoso, esta casa, ou parte dela, terá sido da família Sinel – de Luís Romão Sinel? – que aí residiu em fins do século XVII e foram antepassados deste ramo da família Fragoso[2].


Largo da Igreja de Sta. Maria Maior, Solar dos Fragoso
A sua falta de graciosidade resulta da implantação num terreno de grande declive, e talvez dos estragos infligidos pelo Terramoto de 1755 na casa anterior que lhe terá dado origem[3].

Apesar da sua desfavorável inserção, esta foi erigida numa das zonas mais nobres do burgo, à época em grande expansão populacional e industrial, não obstante estar confinado pela cerca medieval[4], cujas muralhas só começaram a ser demolidas em 1734, no reinado de D. João V (1689-1750). 

Uma das suas fachadas, a mais regular e simétrica, fica defronte para o adro da Igreja de Santa Maria Maior, então a única grande igreja da cidade, edificada num espaço de destacada centralidade social na geografia urbana covilhanense, pois era neste terreiro que se reuniam em tempos recuados (séculos XIII e XIV?) os homens-bons do Concelho para tomar decisões e sanar os pequenos conflitos locais

A Igreja de Santa Maria Maior resulta de sucessivas alterações e reedificações da antiga capela de Nossa Senhora do Castelo (séc. XVI) aí existente – feitas em 1627, 1667, 1758 (em consequência do Terramoto?), 1872/86 (configuração Barroca), 1899 (acrescentamento da torre), 1942 (azulejos) – as quais certamente diminuíram o espaço público à sua volta, reduzindo a largura da rua onde está o Solar da Família Fragoso que deste modo de viu acantoado. 

FRAGOSO

Esta freguesia, outrora a mais populosa da cidade, era uma zona privilegiada da pequena urbe industrial, então procurada pela burguesia local para aí vai estabelecer as suas moradas à volta da Igreja, o centro religioso de então, perto da Casa dos Ministros ou Casa dos Magistrados (segunda metade do séc. XVIII), e dos Paços do Concelho (1614), o centro político-administrativo no reinado de D. Filipe II (1578-1621) de Portugal, junto à Porta da Vila, então o principal acesso ao meio urbano intramuros.

Este casarão resultou de inúmeras intervenções ao longo dos séculos. Nele adivinham-se sucessivas ampliações feitas a partir de uma edificação inicial bem mais modesta e, devido ao seu abandono de muitas décadas, apresenta actualmente um grande estado de degradação.

A sua fachada tortuosa, que se estende pela íngreme rua que lhe dificulta o acesso, apresenta três mudanças de direcção em ziguezague com ângulos quase rectos.

Tem quatro panos de fachada com uma configuração caótica e imprevisível, revelando falta de racionalidade e de simetria nos respectivos vãos, resultando numa ausência de clareza arquitectónica. No andar nobre, cuja fenestração é mais regular, destacam-se as varandas de sacada com guardas de ferro.

Resta-nos saber se, devido ao abandono a que chegou este edifício, haverá alguma entidade pública ou privada disposta a investir na sua recuperação para lhe dar alguma funcionalidade.

A sua reabilitação não será tarefa fácil, atendendo à difícil adequação a novas funções; tanto pelo complicado acesso, assim como pelo intrincado espaço interior com uma planta irregular como vários desnivelamentos entre um simples piso térreo, até uma altura de três pisos.


Solar dos Fragoso.
Solar dos Fragoso.














A parte superior de um dos seus cunhais está armoriada com uma pedra de armas lavrada em mármore claro de belíssima factura[5]. Foi este brasão que nos permitiu atribuir a posse da casa a esta nobre família covilhanense, com a sua provável origem na cidade de Coimbra[6].

Estes, na Covilhã, onde se fixaram por um casamento, já eram conhecidos na segunda metade do século XVII, e deles haverá muitos descendentes que desconhecem esta sua origem.

 

PEDRA DE ARMAS
de 
João Manuel da Silva de Figueiredo Fragoso (c. 1774)

O seu brasão de armas ao estilo Barroco, está colocado de frente para a fachada lateral de Santa Maria Maior, lavrado em mármore branco com um escudo em cartela, encimado por um elmo de grades fechado e virado à dextra, e sobre este o timbre.

João Manuel da Silva de Figueiredo Fragoso
25-VIII-1774
Esquartelado: I - FRAGOSO, II - SILVA,
III - FIGUEIREDO, IV - SOUSA (do Prado).
O escudo é esquartelado: I – FRAGOSO; II – SILVA; III – FIGUEIREDO; IV – SOUSA (do Prado). Timbre de FRAGOSO, que é um lobo passante de sua cor. Diferença uma brica de prata com um trifólio verde.

Estas armas foram concedidas a JOÃO MANUEL DA SILVA DE FIGUEIREDO FRAGOSO (c. 1774) em 25-VIII-1774, registadas no Cartório da Nobreza (liv. II, fl. 29 v)[7]. Tinha-se iniciado então a regência de D. Mariana Vitória em nome do rei de D. José I, entretanto afastado do trono por ter perdido a razão.

Descrição:

I – FRAGOSO – De azul, com três sóis radiantes de ouro;

II – SILVA – De prata, com um leão de púrpura, armado e lampassado de vermelho ou azul;

III – FIGUEIREDO – De vermelho, com cinco folhas de figueira verde, nervadas e perfiladas de ouro, postas em sautor;

IV – SOUSA (do Prado) – Esquartelado: o 1.º e o 4.º de prata, com cinco escudetes de azul postos em cruz, cada escudete carregado de cinco besantes de prata, postos em sautor; o 2.º e o 3.º de prata, com um leão de púrpura.

GENEALOGIA

 
Enquadramento histórico:

Os FRAGOSO já existiam em Portugal no reinado de D. Dinis (1261-1325), vivendo a maioria deles no Alentejo (de Portalegre a Beja) onde um fidalgo de nome Duarte Fragoso era senhor de vários vínculos[8]

Posteriormente, no reinado de D. João III (1502-1557), passou a Portugal PEDRO FRAGOSI, filho do doge de Génova OCTAVIANO FREGOSO (1513-1515), cuja descendência aportuguesou este nome para FRAGOSO. Segundo alguns genealogistas, este terá casado na então vila de Chaves, dando origem a vários ramos desta família.

Na sua origem este nome genovês tinha algumas variantes conforme os diversos ramos: FRIESCHI, FREGOSI, FREGOSO ou CAMPOFREGOSO.  

Era uma família de mercadores proeminentes em Génova, os quais, durante várias gerações, nas longas guerras religiosas da Baixa Idade Média, tomaram o partido dos Guelfos que foram apoiantes do papado[9]. Numa cidade, acirrada por ódios e por intrigas, este posicionamento político e a sua intervenção em vários conflitos armados, acabou por ditar a expulsão definitiva desta família da sua cidade natal.

Santa Catarina de Génova
(1447-1510)
Estes, através dos séculos, tiveram vários membros eleitos como doges de Génova, ascendendo a altos cargos como julgadores e árbitros dos conflitos, assim como a destacados postos militares e da hierarquia da Igreja[10], à qual deram dois papas, nove cardeais, dois arcebispos e uma das mais célebres santas de Itália: Santa Catarina de Génova (1447-1510)[11].

O primeiro doge nesta família foi DOMENICO DI CAMPOFREGOSO (1370-1378), ao qual se seguiram muitos outros, alguns deles acabando exilados em consequência de conflitos com a poderosa família ADORNO que lhes disputava a primazia.

O último desta dinastia foi o doge OCTAVIANO FREGOSO (1513-1515), o qual foi despojado deste cargo e partiu para o exílio na comuna de Urbino. Mais tarde, o seu filho PIETRO FREGOSE veio a acolher-se a Portugal onde o rei D. João III (1502-1557) lhe fez algumas mercês[12].

A este doge ainda sucedeu ANTONIOTTO II ADORNO (1522-1527), o responsável pela expulsão em 1528 das citadas duas famílias, em consequência de um ataque de ANDREA DÓRIA (1466-1560) com uma esquadra de mercenários. Este tomou a cidade de assalto e apoderou-se dos imensos bens destas duas famílias. Feito Almirante da cidade-estado, deu-lhe uma nona Constituição e ficou a vigiar e a influenciar o seu governo[13].

Génova, durante vários séculos na Idade Média, teve o domínio do Mar Mediterrânio onde possuía várias ilhas, importantes portos comerciais, assim como várias colónias no Médio Oriente[14]. Juntamente com Veneza dominou as relações comerciais com o Império Bizantino apoiada numa grande frota naval. Porém, desperdiçou muito tempo da sua secular existência em violentas guerras intestinas pelo poder.

Das cerca de 28 famílias proeminentes, parte delas disputavam encarniçadamente o poder a partir dos seus diversos feudos acastelados, recorrendo muitas vezes a exércitos de mercenários e às suas frotas armadas. Assim iam desbaratando a imensa riqueza adquirida no rendoso comércio marítimo e terrestre com o Oriente, cujo monopólio detiveram em conjunto com os venezianos até os turcos otomanos lhe porem termo, a partir do fim do século XV.

Génova, 1481,

A oligarquia dirigente tentava a qualquer custo manter uma posição de primeiro plano, alcançando novos feudos e títulos nobiliárquicos que satisfizessem a sua ambição e vaidade pessoal, enquanto Génova entrava em declínio a partir do início do século XVI, quando começou a ser despojada da sua grandeza passada com perda da sua influência.

Por sua vez, a sua plebe indomável, guer-
reira por tradição que já vinha da Idade Média, conspiradora e agressiva, manti-
nha-se numa luta constante contra alguns membros poderosos da cidade, ao servi-
ço de quem lhe pagasse generosamente.

A única coisa que uniu o povo à sua elite, foram as diversas ameaças externas por terra e por mar que a Sereníssima República de Génova sofreu ao longo de muitos séculos. Fora isso, a classe dirigente guerreava-se em conflitos fratricidas, entre a velha nobreza fiel aos interesses espanhóis e do papado, em contraste com a nova nobreza emergente afecta às ambições dos franceses. Quando necessário, estas duas facções também estabeleciam a paz entre elas, consolidada por laços matrimoniais de conveniência, evitando assim o confisco dos bens e as perseguições.

No meio destas intrigas, muitas destes clãs familiares, por motivos religiosos – entre Gibelinos e Guelfos –, iam empobrecendo, tornando este território e as suas possessões numa preza fácil para as diversas potências emergentes na Europa do século XVIII.   

Muitos membros destas famílias patrícias, ao longo do tempo acabaram sendo expulsos de Génova fugindo a cruéis ajustes de contas, ou simplesmente cansadas da guerra, optando por uma existência pacifica noutro país. O seu destino foi, regra geral, a França que sempre teve ambições sobre este território, a Espanha ou Portugal, cujos recentes impérios coloniais, no caso destes dois últimos países, se mostravam atractivos para os negócios dos mercadores genoveses.

Em Portugal alguns deles, durante o século XVI e seguintes, prosperaram no comércio, o qual – além da guerra – era o que de melhor sabiam fazer.

Muitos imigrantes de origem genovesa, que engrandeceram a pátria Lusa pelos seus sucessos, acabaram nobilitados. São eles os ADORNO[15], os DÓRIA[16], os FRAGOSO e os SPÍNOLA[17], entre muitos outros de menor dimensão, quase todos aparentados com vários dos doges e com os membros do Grande Conselho que os elegiam.

  

Doges de Génova
da família Fregoso (Fragoso)

1.       Domenico di Campofregoso (1370-1378)

2.       Giacomo Fregoso (1390-1391).

Doge e Arcebispo
Paolo Fregoso (1427-1498).
               3.       Pietro Fregoso, (1393)

4.       Tomaso di Campofregoso (1415-1421) – 1.º reinado.

5.       Tomaso di Campofregoso (1436-1437) – 2.º - reinado.

               6.       Tomaso di Campofregoso (1437-1442) – 3.º reinado.

7.       Giano I di Campofregoso (1447-1448).

8.       Lodovico di Campofregoso (1448–1450) – 1.º reinado.

9.       Pietro di Campofregoso (1450-1458).

#        (1458–1461) – Génova foi ocupada pela França.

10.     Spinetta Fregoso (1461).

11.     Lodovico di Campofregoso (1461-1462) – 2.º reinado.

12.     Paolo Fregoso (1462), arcebispo de Génova – 1.º reinado.

Doge Octaviano Fregoso
(1513-1515)

    13.     Lodovico di Campofregoso (1462) ­– 3.º reinado.

14.     Paolo Fregoso (1462-1463), arcebispo de Génova – 2.º reinado.

15.     Battista Fregoso (1478–1483).

16.  Paolo Fregoso (1483-1488) – 3.º reinado, e simultaneamente arcebispo de Génova, após o que se dedicou ao corso ao longo da costa do mar da Ligúria[18].

17.   Octaviano Fregoso (1513-1515), o último doge nesta família, foi forçado a reconhecer o rei Francisco I (1494-1547) de França como seu soberano, o qual lhe permitiu permanecer como governante de Génova.

Enfrentou os Adorno – também eles uma poderosíssima família que deu muitos doges a Génova – e acabou expulso desta cidade, refugiando-se na cidade de Urbino.

Um filho seu – Pietro Fregoso – passou a Portugal.

 

PIETRO FREGOSO escapou para Portugal onde se pôs ao abrigo da família ADORNO. Era filho do doge OCTAVIANO FREGOSO (1513-1515), um príncipe liberal e magnânimo no dizer dos seus contemporâneos. Foi ele a origem deste ramo da citada família portuguesa, a qual aportuguesou o seu nome apelido para FRAGOSO.

Este refugiado, que os seus biógrafos dizem ser originário de Milão, aqui recebeu algumas mercês do rei D. João III (1502-1557).

Ao que parece casou em Chaves e esteve na origem de muitos dos núcleos desta família que se fixaram no Norte e Centro do país[19], os quais nada terão a ver com os Fragosos do Alentejo, aí estabelecidos desde tempos imemoriais.

Quiçá teve origem nesta família de Génova um dos ramos que veio a fixar-se na Covilhã e seria originário da região de Coimbra.


 Sucessão genealógica:
 

1.      FRANCISCO VAZ FRAGOSO (n. 1636), membro de uma família à época numerosa na Covilhã, da qual há muitos membros que não foram entroncados neste ramo. Este clã, ascendeu à pequena nobreza covilhanense; quer por via da formação letrada dos seus membros, quer através de alguns vantajosos enlaces matrimoniais.

Sabemos que foi capitão pago dos auxiliares da comarca de Coimbra[20], tendo residido na Covilhã onde foi sucessivamente Tabelião de Notas (Carta de 12-VI-1669)[21], aos 33 anos de idade, provavelmente por sucessão (?) neste ofício a seu sogro João da Silva (c. 1646), cargo que acumulou com o de Feitor Selador e Recebedor das Sisas dos Panos (Carta de 11-XII-1670)[22], e ainda de Contador e Inquiridor da Covilhã (Carta de 16-I-1698)[23].

Largo da Igreja de Sta. Maria Maior, Solar dos Fragoso.
        Também ocupou o cargo de provedor da Santa
        Casa da Misericórdia da Covilhã (1676-1677)[24]
        Foi baptizado a 3-IV-1636 na já demolida Igreja de
        São Paulo da Covilhã[25], tendo por padrinhos
        Francisco Borges e Pedro Machado, solteiros[26].

Era filho de Pedro Vaz Fragoso e de D. Bárbara Fernandes, neto paterno de Manuel Fragoso de Aguiar que foi cavaleiro fidalgo da Casa Real e bisneto paterno de Pedro Vaz Fragoso, homónimo de seu avô.

Solar dos Fragoso (ruínas).
        Um seu bisneto, João Manuel, mais de um século
        depois, foi senhor deste solar e obteve a Carta de
      Brasão de Armas a 25-VIII-1774, as quais colocou na fachada da sua casa.

João Vaz Fragoso (n. 1636) casou duas vezes:

As suas primeiras núpcias foram celebradas a 24-IX-1653 na Igreja de Santa Maria da Covilhã, quando contava 17 anos de idade, com D. JOANA COELHO FALCÃO, filha de João Falcão e de Francisca …, na presença de João Francisco e Francisco Coelho[27]. Deste enlace não teve geração.

O seu segundo matrimónio realizou-se a 3-V-1662 na citada Igreja de Santa Maria com D. ISABEL DA SILVA FIGUEIREDO (c. 1662), quando contava 26 anos, ao que parece com sua parente, pelos Fragoso, filha de João da Silva (c. 1646) que  foi Tabelião de Notas e Inquiridor da vila da Covilhã (Carta de 30-IV-1646)[28], ofício no qual lhe sucedeu este seu genro Francisco Vaz Fragoso (n. 1636), e de sua mulher D. Maria de Figueiredo, neta paterna de Manuel da Silva Fragoso[29], tendo por testemunhas do seu casamento Simão de Figueiredo, tesoureiro, e Estevão Correia Xara  (c. 1654)[30].

Deste 2.º casamento teve Manuel da Silva Fragoso (n. 1663?), que segue.

 

2.   MANUEL DA SILVA FRAGOSO (n. 1663?), homónimo de seu bisavô materno, natural da Covilhã onde nasceu por volta de 1663, e nela morador, iniciou o seu processo de habilitação à Leitura de Bacharel a 18-IV-1690, quando contava 27 anos de idade e era residente em Coimbra[31]

Foi Feitor Selador e Recebedor das Sisas dos Panos da vila da Covilhã (Carta de 8-III-1690)[32], ofício a que mais tarde renunciou para ser ocupado pelo seu filho mais velho Francisco da Silva (Alvará de 2-X-1718)[33].

Solar dos Fragoso (ruínas).

Casou a 3-V-1683 em Santa Maria Maior na Covilhã com D. LUÍSA DE SOUSA CORREIA (n. 1670), nascida a 3-V-1683 e uma de quatro filhos do capitão Luís Romão Sinel (II), natural de Lisboa, cavaleiro fidalgo da Casa Real, Pagador Geral da Província, e lugar-tenente do alcaide-mor da vila Covilhã na qual foi “contratador da Fábrica e Manufacturas das Baetas e Sarjas da Covilhã” (1677)[34], casado a 30-VII-1699 no Teixoso, Covilhã, com D. Maria Correia de Almeida, natural de Penedono, Viseu.

       Luís Romão Sinel (II), foi morador nesta casa – ou em parte dela (?) – que veio a pertencer ao Fragosos, sita à Rua da Paciência na Covilhã. Este era filho de Filipe Romão Sinel, cavaleiro fidalgo da Casa Real (26-V-1698)[35], e de sua mulher D. Maria Guiomar de Sousa, ambos naturais de Lisboa; neto do homónimo Luís Romão Sinel (I) e de D. Ana Gris, família de origem flamenga.

LUÍS ROMÃO SINEL (II), em consórcio com André Nunes e Jorge Frois (1680)[36], beneficiou da política manufactureira do governo da época, obtendo na Covilhã um contracto exclusivo de “fabrico de Sarjas e Baetas” (1677-1703) concedido por D. Luís de Meneses, 3.º conde da Ericeira e superintendente das finanças[37]. O seu objectivo era limitar a importação de tecidos ingleses, melhorando a qualidade da produção nacional com o aperfeiçoamento de novas técnicas no domínio da fiação e da tecelagem.

Esta concessão levou à necessidade do recrutamento alguns qualificados artesãos irlandeses e à ampliação de uma fábrica hidráulica pioneira – Fábrica d'El-Rei, posteriormente designada por Fábrica Velha –, com casas anexas para os trabalhadores. Deste modo contribuiu para uma produção de sarjas e baetas de maior perfeição e, por isso, capazes de concorrer com as inglesas, levando os concessionários e à obtenção de avultados lucros[38]. Situava-se esta fábrica à Ribeira da Carpinteira, cuja água era fundamental como força motriz e para a manufactura das lãs; tendo servido de exemplo às subsequentes indústrias têxteis criadas nesta cidade, na qual até então predominavam as pequenas oficinas[39].

       Filhos:

3.    FRANCISCO DA SILVA, filho varão primogénito, no qual seu pai renunciou o ofício de Feitor Selador e Recebedor das Sisas dos Panos da vila da Covilhã (Alvará de 2-X-1718)[40].

3.     JOÃO DA SILVA DE FIGUEIREDO FRAGOSO, casado com D. BRÍGIDA JOAQUINA DE PINA FRAGOSO, que seguem.

3.    D. MARIANA (n. 1690), nascida a 10-XI-1690.

3.    CRISTÓVÃO (n. 1696), nascida a 7-V-1696.

3.    D. JOANA MARIA (n. 1697), nascida a 28-VIII-1697.

3.    D. MARIA (n. 1699), nascida a 4-III-1699.

 

3.    JOÃO DA SILVA DE FIGUEIREDO FRAGOSO, cavaleiro professo da Ordem de Cristo.

Casou com D. BRÍGIDA JOAQUINA DE PINA FRAGOSO, sua parente, filha do capitão Luís Fragoso Homem e de sua mulher D. Francisca da Fonseca.

Filhos:

Prato armoriado, Loiça de Sacavém.
(182 mm, séc. XII, finais).
Escudo partido: FRAGOSO e SILVA.
Diferença: Brica com um «F»

4.     JOÃO MANUEL DA SILVA DE FIGUEIREDO FRAGOSO (c. 1774),
 que segue.

4.    D. MARIA LEONARDA DA SILVA FRAGOSO. Casou a 16-VII-1764 na Igreja de Santa Maria Maior da Covilhã com MANUEL JOAQUIM DA SILVA NOGUEIRA BOTELHO DE QUEIROZ, filho do capitão Eduardo da Silva Proença, e de sua mulher D. Águeda Margarida Micaela Nogueira de Moura.

Filho:

5.      FRANCISCO EDUARDO DA SILVA FRAGOSO (c. 1785), nas-

        cido na Covilhã. Desconhecemos se terá casado.

        Obteve Carta de Brasão de Armas a 29-VIII-1785[41], regista-

        do no Cartório da Nobreza (liv. III, fl. 205 v). Partido em pala:

        I – FRAGOSO, II – SILVA[42]

 

4.    JOÃO MANUEL DA SILVA DE FIGUEIREDO FRAGOSO (c. 1774), natural da Covilhã, foi senhor do Solar dos Fragoso, o qual terá vindo à sua posse por herança de seus pais e avós, os quais por sua vez o terão ganho da família Sinel que nele habitou, nomeadamente Luís Romão Sinel, seu bisavô, lugar-tenente do alcaide-mor da Covilhã e “contratador da Fábrica e Manufacturas” (1677).

Obteve Carta de Brasão de Armas a 25-VIII-1774, cujo escudo heráldico encastrou num dos cunhais deste solar. Esquartelado de: I – FRAGOSO; II – SILVA; III – FIGUEIREDO; IV – SOUSA (do Prado)[43].

Desconhecemos se casou ou teve geração.

      



         Anexo

«1214. João Manuel da Silva Figueiredo Fragoso, da vila da Covilhã, o armigerado, era filho de João da Silva de Figueiredo Fragoso, cavaleiro professo na ordem de Cristo, e de sua mulher D. Brígida Joaquina de Pina Fragoso, filha do capitão Luís Fragoso Homem, e de sua mulher D. Francisca da Fonseca, neto paterno de Manuel da Silva Fragoso, e de sua mulher D. Luísa de Sousa Corrêa, filha de Luís Romão Sinel, cavaleiro fidalgo da casa real, e lugar-tenente do alcaide-mor da mesma vila da Covilhã, o qual era filho de Filipe Romão, também cavaleiro fidalgo da casa real, e de sua mulher D. Maria Guiomar de Sousa, e neto de Luís Romão # bisneto o suplicante pela sua varonia de Francisco Vaz Fragoso, capitão pago dos auxiliares da comarca de Coimbra, e de sua mulher Isabel da Silva de Figueiredo, terceiro neto de Pedro Vaz Fragoso, e quarto neto de Manuel Fragoso de Aguiar, também cavaleiro fidalgo da casa real»[44].

Esquartelado: I – Fragoso; II – Silva; III – Figueiredo; IV – Sousa – Br. p. a 25 de Agosto de 1774. RCN, liv. II, fl. 29 v.»

In BAENA, Visconde Sanches de, Archivo Heraldico-genealogico, Lisboa, Typografia Universal, 1872, p.306.


         Abreviaturas

AHG      – Arquivo Heráldico-Genealógico, de Visconde Sanches de Baena

ANTT    – Arquivo Nacional da Torre do Tombo

RCN      – Registado no Cartório da Nobreza

  

João Trigueiros


______________


                                                            * Expressamos aqui a nossa gratidão às Dras. Regina Alexandre e Cristina
                                                               Caetano, da Câmara Municipal da Covilhã, que nos alertaram para a
                                                               existência desta pedra de armas e a necessidade do seu estudo, assim
                                                               como ao prestimoso investigador Dr. Manuel Guilherme Vasconcelos, ao
                                                               qual ficamos a dever o incentivo e contributo inicial para esta pequena
                                                               investigação.
                                                               A todos eles, o nosso Bem-Haja.


Notas:

[1]   A Igreja de Santa Maria Maior resulta de sucessivas reedificações da Capela de Nossa Senhora do Castelo (séc. XVI), cuja configuração Barroca foi-lhe dada entre os anos de 1872 a 1886.

[2]  Segundo apurou o investigador covilhanense Luiz Fernando Carvalho Dias. In DIAS, Miguel Nuno Peixoto de Carvalho, Covilhã - Contributos para a sua História dos Lanifícios XVI, blog “Covilhã – Subsídios para a sua História”. Consultado em 21-12-2021. Disponível em https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/2013/02/covilha-contributos-para-sua-historia.html

[3]   É sabido que no Terramoto de 1755, a Covilhã sofreu danos de monta. O castelo ficou em grande parte destruído e parte das muralhas da vila ficaram danificadas. O seu casario, apesar da falta de relatos, deve ter sofrido apreciáveis danos.

[4]   Nessa época, a antiquíssima freguesia de São Martinho, era a única que sabemos ficar fora da protecção das muralhas medievais da cidade.

[5]  Caso esta casa venha a ser demolida, a sua pedra de armas deve ser protegida e encastrada o mais próximo possível do local onde se encontra hoje, com a indicação da sua origem e da família a que diz respeito, à semelhança do que em tempos foi feito à pedra de armas da desaparecida casa dos CUNHA MONTEIRO, situada na junção da Travessa do Cimo com a Rua 6 de Setembro, não muito longe do local desta morada da família FRAGOSO.

O mesmo sugerimos para as diversas pedras de armas que estão a céu aberto num pátio interior na Biblioteca Municipal da Covilhã, da notável família PESSOA AMORIM, as quais deviam regressar ao local de origem: o designado “Colégio das Freiras” (Doroteias), e a “Casa Morão” (?), cuja famílias proprietárias (Campos Melo, e Mourão), por laços de parentesco e por compra sucederam na posse das velhas casas, sobre as quais reedificaram novas moradas. Esta família, de letrados e nobres do século XVIII, militares e industriais têxteis – com parentela nascida no Fundão e antepassada do grande poeta Fernando Pessoa (1888-1935) – teve origem em Torres Novas, na Covilhã, no Fundão, e em Castelo Branco, por onde espalhou a sua descendência. Foram estes que, em consórcio com outros, arremataram os contractos de exploração da “Real Fábrica de Panos” da Covilhã e do Fundão em 1821.     

[6]    Na cidade de Coimbra, e nos concelhos limítrofes, houve vários núcleos de dispersão destes Fragosos que, aparentemente, não teriam ligações com os de origem alentejana, apesar dos seus brasões de armas sejam os mesmos. Curiosamente, estes deram sucessivas gerações de juristas que deixaram rasto nos registos da Universidade de Coimbra e serviram na magistratura.

[7]   A Diferença e o Timbre, presentes na pedra de armas, não constam da respectiva Carta de Brasão de Armas passada a João Manuel da Silva Figueiredo Fragoso. – Cf. BAENA, Visconde Sanches de, Archivo Heráldico-Genealógico (Lisboa, Typografia Universal, 1872), registo n.º 1214, p. 306.

[8]  Talvez desta família alentejana provenha um DIOGO FRAGOSO (c. 1482), Tabelião em Portalegre em 1482. (ANTT, Chancelaria de D. João II, liv. 6, fol. 26).    

[9]    GUELFOS – Adeptos do poder temporal do Papa e aliados dos franceses.

[10]  DOGE – Chefe eleito das antigas repúblicas marítimas italianas, nomeadamente Génova e Veneza, a partir de 1339. A república de Génova existiu desde o século XI até 1797, ano em que mais uma vez foi invadida pelos exércitos franceses.

[11]  SANTA CATARINA DE GÉNOVA (1447-1510), a Santa genovesa mais famosa da Itália, era a CATARINA FIESCHI (FREGOSO), segundo Adorno Júnior (in “A trajetória da Família Adorno …”, p. 68), filha do nobre Giacomo Fieschi e de Francesca di Negro. Fora compelida a casar com o príncipe GIULIANO ADORNO, um jovem muito rico e irresponsável, para selar a paz entre estas duas famílias desavindas. A sua vida foi devotada ao serviço dos pobres e doentes, em prol dos quais se desfez de todos os seus bens, especialmente no apoio a leprosos e às vítimas das pestes entre 1497 e 1501, vivendo modestamente e executando os trabalhos mais humildes. Após a sua morte a 15-IX-1510, o seu corpo incorrupto está sepultado na igreja da Santissima Annunziata di Portoria, actualmente conhecida como a Igreja de Santa Catarina de Génova.

[12]    ZÚQUETE, Afonso Martins, Armorial Lusitano, “Fragoso”, Lisboa, Zairol, 2000, p. 224.

[13]   ADORNO JÚNIOR, Hélcio Luiz (2015), “A trajetória da Família Adorno …”, Faculdade de Santa Lúcia, Universitas, Ano 8, n.º 15, pp. 65-94. – Este panegírico da família Adorno é preciso ser lido com alguma prudência, tanto por exagerar os méritos destes, como por um ou outro erro histórico.

Segundo este investigador “Três irmãos da família Adorno, que haviam emigrado da Itália para Portugal, chamados Giuseppe, Paolo e Francesco, acompanharam a expedição de Martim Afonso de Souza ao Brasil, em 1540”, os quais aí iniciaram o “ciclo do açucar”, foram bandeirantes e lutaram contra as pretensões francesas (pp. 72-78).

[14]    A Républica de Génova detinha no Mediterrâneo as seguintes ilhas: Córsega, Gorgona, Capraia, Quios e Samo. E ainda a Crimeia (Sebastopol, Cêmbalo, Soldaia, Tana e Teodósia) e territórios junto ao mar Negro (Samsun). Próximas de Constantinopla, as cidades de Gálata e Pera, e na costa do Tunísia, a ilha de Tabarca. Esta cidade-estado foi bem mais rica do que Veneza e só a sua instabilidade política contribuiu de modo decisivo para o seu fim.

[15]    A família ADORNO pertenceu ao partido gibelino, partidários do Imperador do Sacro Império Romano-Germânico contra o Papado. Ao longo de duzentos anos mantiveram uma grande rivalidade, cheia de conflitos armados, com a família FREGOSO, estes do partido dos guelfos. Devido à sua grande rivalidade, ambas as famílias acabaram expulsas de Génova e vieram a refugiar-se em Portugal no reinado de D. João III (1502-1557), por iniciativa de Andrea Dória (1466-1560) provavelmente com o intuito de consolidar o seu poder trazer alguma paz à cidade, ao mesmo tempo que se apropriou das suas gigantescas fortunas. Os Adornos passaram á ilha da Madeira e ao Brasil onde prosperaram impulsionado a agricultura e a refinação de açúcar.

[16]   A família DÓRIA, com origens feudais na Sardenha e em Génova, passou inicialmente à Ilha de Madeira no fim do século XV onde se dedicou à produção do Açucar, ao que parece no Machico em 1480. Outros passaram ao Brasil.

[17]   Os SPÍNOLA era uma das grandes e ricas famílias titulares de Génova, dando a essa república alguns dos maiores militares do seu tempo. Perseguidos politicamente, passaram a Espanha onde já tinham ligações familiares e grandes casas titulares, e daqui passando a Portugal.

[18]   PAOLO FREGOSO foi o maior aventureiro desta família. "Arcebispo, cardeal, doge três vezes, cinco filhos com duas mulheres, vários bastardos, homem de armas, pirata, almirante da Santa Sé, duas vezes papável”, dele há um romance histórico da autoria de VITO MOLINARI (“Paolo Fregoso, genovese”, Gammarò edizioni, 2020), que nos dá um belo retrato tendo por fundo uma Génova “violenta e cheia de contrastes que exalava um cheiro misto de sangue e rosas”.

[19]  Muitos deste Fragosos frequentaram a Universidade de Coimbra, como consta pelos registos de alunos desta Universidade, assim como por documentação diversa existente no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. Estes eram originários de Viana, Braga, Sanfins, Aveiro, Avanca, Coimbra, Cela, góis, Trancoso, Manteigas, Guarda, Seia, Bendada (Sabugal), Teixoso, Covilhã, Castelo Branco, etc.

[20]  Segundo consta na Carta de Brasão de Armas de seu bisneto JOÃO MANUEL DA SILVA FIGUEIREDO FRAGOSO. – Cf. BAENA, Visconde Sanches de, Archivo Heráldico-Genealógico (Lisboa, Typografia Universal, 1872), registo n.º 1214, p. 306. – Sabemos que nos séculos XVII e XVIII, houve vários núcleos da família Fragoso nos concelhos na região de Coimbra que frequentaram a respectiva Universidade.           

[21]    ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês (Chancelaria) de D. Afonso VI, liv. 9, f. 411. — As primeiras escrituras feitas no Ofício de Francisco Vaz Fragoso datam de 1652, quando este tinha apenas 16 anos (?).

[22]    ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês (Chancelaria) de D. Afonso VI, liv. 19, f. 383v.

[23]    ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Pedro II, liv. 11, f. 254.

[24]   DIAS, Miguel Nuno Peixoto de Carvalho, A Misericórdia, uma Instituição de Solidariedade Social XXVII, blog “Covilhã – Subsídios para a sua História”.  Consultado em 21-12-2021. Disponível em https://covilhasubsidiosparasuahistoria.blogspot.com/search?q=Provedores+da+Santa

[25]   A paróquia de São Paulo da Covilhã foi extinta e anexada à de Nossa Senhora da Conceição no segundo quartel do século XIX.

[26]    ANTT, Livros Paroquiais, Covilhã, São Paulo, Mistos (1598-1678), f. 27.

[27]    ANTT, Livros Paroquiais, Covilhã, Santa Maria, Mistos (1625-1663), f. 30.

[28]    ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês da Torre do Tombo, liv. 10, f. 21v-22.

[29]  MANUEL DA SILVA FRAGOSO, de família nobre. – in Pina, Manuel Cabral de Pina, Monografia manuscrita para a Academia Real da História, século XVIII.

[30]  ESTEVÃO CORREIA XARA (c. 1654), provedor da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã (1654-1655), habilitou-se à Leitura de Bacharéis (1658), foi Juiz de Fora do Porto (1663), após o que foi transferido para a Corregedoria de Lamego (1674). Era filho de Manuel Correia e de sua mulher D. Maria Ravasca, neto paterno do licenciado Vicente Estêvão Correia e de sua mulher D. Joana Pais; neto materno do licenciado Manuel Ravasco, médico, e de sua mulher D. Isabel Ferreira. Foi casado com D. Maria Coelho “pessoa nobre desta vila”, e seria aparentado com os Fragosos, tanto por parte dos Coelhos, como dos Correias.

[31]   ANTT, Desembargo do Paço, Leitura de Bacharéis, letra M, mç. 21, n.º 14. — A Leitura de Bacharéis é um processo administrativo de habilitação para prover bacharéis em cargos de magistratura. Dele fazia parte uma inquirição de testemunhas sobre a sua vida e seus antecedentes familiares.

[32]   ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. Pedro II, liv. 3, f. 369.

[33]   ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, liv. 10, f. 184.

[34]   O contracto desta fábrica foi rematado no Concelho de Fazenda por oito anos.

[35]   FILIPE ROMÃO SINEL, era irmão, entre outros, de D. MARIA CORREIA ROMÃO SINEL que foi casada com JOÃO LEITÃO TELES, familiar do Santo Ofício, o qual também veio a fazer parte da sociedade que na Covilhã, e em Manteigas tinha o contracto da “fábrica de manufacturas das baetas e sarjas” (Livro do tabelião do judicial Manuel Mendes do Vale, Covilhã, 1680, de fls 5 v. a fls 10)

[36]   A escritura desta sociedade foi registada no Livro de 1680, de fls 5 v. a fls 10, do tabelião do judicial Manuel Mendes do Vale, da Covilhã.

[37]  A concessão monopolista do “fabrico das Sarjas e Baetas” na Fábrica d'El-Rei ou Fábrica Velha, terminou inesperadamente em 1707. O fim deste projecto têxtil pioneiro ficou a dever-se ao Tratado de Methuen, o qual determinou que “os tecidos de lã inglesa fossem admitidos em Portugal com isenção de direitos”, tal como à perseguição feita no mesmo ano pela Inquisição aos cristãos-novos da Covilhã dos quais foram encarcerados 18 negociantes, entre os quais se destacavam membros das famílias Mendes, Mourão, Henriques, Fróis, Nunes e Ferreiras.

Doze anos depois, em 1719, D. João V confirmou a António Fróis Nunes, neto de Jorge Fróis, o contracto de concessão celebrado em 1677 (ANTT, Chancelaria de D. João V, L. 125, fls. 175 v). Mais tarde viriam a suceder na exploração da Fábrica Velha os Castro, os Raposo e os Nunes de Sousa, e em 1845 no mesmo local foi fundada a notável firma "Campos Melo & Irmão" que aí permaneceu quase um século.

[38]  A FÁBRICA VELHA, em meados do século XX, depois de ter passado por várias famílias, já se encontrava-se na posse da firma Campos Mello & Irmão que a ampliou com novos edifícios ao longo da Ribeira da Carpinteira, tendo modernizado o seu processo fabril.  

[39]  TEIXEIRA, André Da Silva, A Real fábrica da Covilhã, inserida no programa manufactureiro do 3º Conde da Ericeira, Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, 2016.

[40]   ANTT, Registo Geral de Mercês, Mercês de D. João V, Manuel da Silva Cardoso, liv. 10, f. 184.

[41]   ANTT, Casa Real, Cartório da Nobreza, mç. 21, n.º 3.       

[42]   ANTT, Casa Real, Cartório da Nobreza, Processo de Justificação de Nobreza para uso de Brasão de Armas, mç. 21.

[43]   ANTT, Feitos Findos, Justificações de Nobreza, mç. 15, n.º 14.

[44]  BAENA, Visconde Sanches de, Archivo Heráldico-Genealógico (Lisboa, Typografia Universal, 1872), registo n.º 764, p. 192.