2014-06-22

Casa de Marrocos (Séc. XIX-XX) - Idanha-a-Velha, Idanha-a-Nova

Leitão Marrocos


Idanha-a-velha (vista geral)








Idanha-a-Velha
    Idanha-a-Velha – a Egitânia romana – está implantada no vasto concelho de Idanha-a-Nova, à distância de 20 quilómetros da sua sede.
Idanha-a-Velha, Pelourinho.
Atravessou um declínio de séculos, reduzida ao esquecimento e integrada na freguesia de Alcafozes, da qual se autonomizou em 1932, tendo em consideração ao seu passado histórico e devido à iniciativa de António de Pádua e Silva Leitão Marrocos (1879-1957), o “último morgado de Idanha-a-Velha”, notável numismata e coleccionador de monumentos epigráficos, assim como senhor do latifúndio da Casa de Marrocos[1].
Os Marrocos, unidos por casamento aos Manzarra Franco, por sucessivas heranças familiares tornaram-se proprietários de cerca de 98% dos solos desta freguesia, aos quais juntavam outras terras nas freguesias limítrofes. A agricultura e a pecuária era uma das principais actividades económicas deste morgadio[2], para o qual contribuía a quase totalidade da diminuta população loca, sua assalariada.
Idanha-a-Velha, casas populares.
Os limites da nova freguesia confrontavam com as freguesias de Monsanto (a norte e a leste), de Medelim (a nordeste), de Proença-a-Velha (a oeste), e de Alcafozes (a sul), e é atravessada pelo rio Ponsul, de nordeste para sudoeste, através de vales apertados que foram propícios à fixação de uma população romanizada há cerca de 2000 anos, ao tempo do imperador Augusto.
Idanha-a-Velha – Velha por oposição a Idanha-a-Nova cuja fundação é posterior – ergue-se no espaço onde outrora existiu a Civitas Igaeditanorum, que veio a ser um importante município romano. Em 105 aparece mencionada numa inscrição da monumental ponte romana de Alcântara – hoje em território espanhol – como um dos municípios que contribuíram para a sua construção.
Idanha-a-velha, fortificação romana.
Idanha-a-Velha foi fundada no século I a.C. e teve uma importância vital para o Império Romano que a muralhou entre os séculos III a IV para resistir às Invasões Bárbaras. Com as invasões germânicas, veio a ser integrada no reino suevo e elevada pelo rei Teodomiro (559-570) à categoria de cidade episcopal. De seguida passa a fazer parte do reino visigótico que lhe edifica a Catedral, o Palácio dos Bispos, o Paço episcopal e a Ponte de São Dâmaso. Posteriormente foi tomada pelos árabes (713), nunca mais alcançando o esplendor do passado. Foi reconquistada pelo Rei Afonso III de Leão, que a perdeu de seguida, tendo sido reconquistada pelo Rei D. Sancho I que lhe deu foral (1229), e foi doada por D. Dinis à ordem de Cristo (1319).

Casa de Marrocos

Ao longo de várias gerações, a família Marrocos foi reunindo um apreciável património fundiário com as respectivas casas senhoriais. O dinamismo de António de Pádua e Silva Leitão Marrocos (1879-1957) levou-o à reedificação e modernização deste património no segundo quartel do século XX. Das várias casas que habitou, destacamos duas delas pela sua importância: a de Idanha-a-Velha e a de Pedrógão de São Pedro.

Idanha-a-Velha, Concelho de Idanha-a-Nova

Idanha-a-Velha, Casa de Marrocos.
A grande Casa Marrocos (século XX), na freguesia de Idanha-a-Velha, com uma apreciável área edificada com cantarias primorosamente trabalhadas, da qual faziam parte grandes anexos destinados às actividades agrícolas, data do segundo quartel do século XX e foi durante muito tempo conhecida por Casa Nova, em virtude de ter substituído uma casa da mesma família que anteriormente aí existia. Esta edificação moderna terá ficado a dever-se a António de Pádua e Silva Leitão Marrocos (1879-1957).
Idanha-a-Velha, Casa de Marrocos.
Nela viveram as últimas gerações desta família, até que foi abandonada em detrimento de outras casas mais pequenas e de acordo com as exigências do conforto da vida moderna.
Este imenso casarão foi vendido pelos seus herdeiros à Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, para ser requalificado e transformado num hotel de qualidade com mais de 40 quartos, destinados à dinamização turística da freguesia.


Pedrógão de São Pedro, Penamacor


Pedrogão de São Pedro, Casa de Marrocos.
Pedrogão de São Pedro,
Casa de Marrocos.
Armas: 1.º -  ?; 2.º - PINTO,
3.º - FREIRE?; 4.º - FRANCO?

















Pedrogão de São Pedro.
A Casa de Marrocos (século XVIII e XX) em Pedrógão de São Pedro, no concelho de Penamacor, é um edifício tardo-barroco, novecentista, que sofreu diversas modificações através dos tempos. Foi provavelmente edificada a partir de outra mais antiga pelo Dr. Luís Pinto da Fonseca “morgado de Pedrógão”, casado na Capinha, e falecido sem geração. Por alguma relação de parentesco que desconhecemos (talvez por parte dos Fonsecas), veio a ser legada a António de Pádua e Silva Leitão Marrocos (1879-1957), que a remodelou e ampliou.
Deste passou a seu filho Frederico Capelo Manzarra Franco (1918-1997), e posteriormente à sua filha D. Maria da Graça Sampaio Manzarra Marrocos (n. 1955).
Esta casa viria a ser adquirida pela Câmara Municipal de Penamacor em 2003, destinada a ser posta ao serviço da comunidade numa nova finalidade de utilidade social.


A sucessão da Casa de Marrocos
A partir das diversas fontes impressas consultadas, devido às suas divergências, não conseguimos apurar a sucessão rigorosa do Morgado de Idanha-a-Velha cuja data da sua instituição desconhecemos.
Certamente que existe alguma documentação proveniente da Casa Marrocos, que teria um bem organizado cartório privativo para fins de administração do seu vasto património disperso por várias localidades da Beira Baixa.
Idanha-a-velha,
Pombal da Casa Manzarra.
Os conhecidos interesse culturais e museológicos de alguns elementos desta família reforçam a nossa convicção na existência dessa documentação e na possibilidade de, pelo menos, parte da mesma vir a ser encontrada na posse de algum herdeiro que venha a permitir a sua consulta a alguns investigadores interessados na história desta casa. 
A mobilidade desta família, ao longo de várias gerações, através das várias casas que possuía em diversas localidades, nas quais iam nascendo seus filhos, dificulta o levantamento dos registos paroquiais a eles referentes. Um levantamento sistemático destes registos seria um trabalho hercúleo de muitos anos …
A adensar este imbróglio genealógico, há os imensos homónimos, a falta de datas dos actos a eles referentes, ou a divergência das datas de autor para autor, o que impossibilita um trabalho rigoroso.
Apesar das limitações apontadas, e dos erros, vamos aqui deixar alguns apontamentos que nos pareceram com interesse como ponto de partida para investigações mais aprofundadas.
 Vejamos alguns apontamentos desta presumível sucessão, colhida de vários autores, mas com algumas reservas quanto ao seu rigor. Não seria justo, apesar dos involuntários erros, privar os investigadores genealógicos dos elementos que aqui deixamos, os quais poderão abrir novos caminhos de exploração, trilhados com maior rigor.


§: 1

1.       ANTÓNIO FREIRE DE ANDRADE (1719-1789), homónimo de seu pai, nasceu a 23-I-1789 em Vila Chã, Vale da Cambra, e faleceu com testamento a 1-VIII-1789 em Medelim, concelho de Idanha-a-Nova. Curiosamente, um mês depois da sua morte o “senhorio da aldeia de Medelim, elevada a vila” foi atribuída a Fernando Afonso Giraldes de Andrade[3], por sucessão neste cargo a seu pai Bartolomeu José Nunes Cardoso Giraldes de Andrade[4], e por alvará de 03-IX-1789 (ANTT, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv.24, f. 366v).
Medelim, casa antiga.
Como militar veio fixar-se na Beira Baixa, talvez devido à Guerra dos Sete Anos e à consequente invasão desta região pelo exército franco-espanhol (IX-1762). Foi capitão do Terço de Infantaria Auxiliar de Castelo Branco (1764), sargento-mor (1768) e capitão-mor de Monsanto e seu termo, e administrador dos vínculos instituídos por seu tio paterno Manuel Freire de Andrade (f. 1775) que foi prior de Medelim durante 35 anos, onde prosperou e adquiriu bens, o qual terá influenciado a vinda para a Beira Baixa deste seu sobrinho, que aí já estava em Março de 1744 quando aparece como padrinho de um baptizado[5].
Os seus antepassados mais longínquos por parte dos ANDRADES, provavelmente eram daqui originários e, quem sabe, os bens dos citados vínculos terão vindo posteriormente a engrossar o morgadio dos Marrocos.
Era filho homónimo de António Freire de Andrade (n. 1703), proprietário do ofício de meirinho da cidade de Coimbra (alvará de 11-VI-1725), baptizado a 23-I-1703 na freguesia do Sacramento em Lisboa, o qual teve este filho fora do casamento com D. Maria Gomes (c. 1700)[6], de Vale da Cambra, Lordelo.
«Andrades (de Monsanto) / É confusa e labiríntica a genealogia dos Andrades de Monsanto. (…) Andrades, Calvos, Teles, Saraivas e Coutos enxamearam da Guarda a Monsanto e desta vila à Idanha deixando vasta prole, mas um grupo deles fixou-se de forma mais efectiva em Monsanto, radicando-se à aldeia mais portuguesa de Portugal, por vínculos de morgadio e pela sequência de varões que serviram o cargo de Alcaides-mores.» (Luís Bivar Guerra, A Casa da Graciosa, Braga: 1965, pp. 253-254)
Casou duas vezes.
As suas primeiras núpcias foram com D. MARIA TERESA DE PROENÇA GIRALDES (1728-1764)[7], nascida a 22-IV-1728 em Peroviseu, falecida a 16-II-1764 em Medelim, filha de Bernardo Martins Proença, natural de Peroviseu, Fundão, onde casou a 24-IV-1712 com D. Francisca Gomes Giraldes, natural de Alcaria, Fundão. Tiveram geração.
As segundas núpcias foram com RITA FELIZARDA GIRALDES DA CUNHA, da qual não teve geração.
De D. ANGÉLICA MARIA CALDEIRA, natural de Alcafozes, teve uma filha natural legitimada de nome ANTÓNIA que vai mais abaixo.
Filhos do 1.º casamento:
2.    D. MARIA JOAQUINA FREIRE DE ANDRADE (1763-1785), que nasceu a 1-VIII-1763 em Medelim, onde faleceu precocemente a 30-I-1785.
Casou a 25-XI-1782 em Medelim com JOÃO MANUEL LEITÃO MARROCOS, natural de Idanha-a-Velha, no concelho de Idanha-a-Nova, à data deste seu casamento com a patente de capitão, filho de João dos Reis Leitão Marrocos e de sua mulher D. Maria Petronilha Teresa Ferreira, natural de Muxagata, concelho de Fornos de Algodres; esta última, filha de José da Fonseca Dias, natural de São Miguel de Acha, concelho de Idanha-a-Nova, e de D. Maria Ferreira, natural de Muxagata[8].
João Manuel Leitão Marrocos, tendo enviuvado devido ao falecimento prematuro da sua primeira mulher, pouco mais de dois anos após o seu casamento sem geração (?), voltou a casar e vai abaixo no §: 2, n.º 2.
 Filha natural legitimada de D. ANGÉLICA MARIA:
2.       D. ANTÓNIA FREIRE DE ANDRADE (f. 1804), que segue.

2.       D. ANTÓNIA FREIRE DE ANDRADE (f. 1804), residente em Medelim onde veio a falecer a 27-XII-1804, senhora de um apreciável património.
Casou duas vezes.
As primeiras núpcias a 26-IX-1791 foram com o tio paterno PEDRO FREIRE DE ANDRADE (1744-1796) que foi baptizado a 5-VII-1744 em Vila Chã, Vale da Cambra, falecido a 19-XI-1796 com testamento em Medelim pouco depois do nascimento do seu único filho que também faleceu , no qual nomeava sua mulher por herdeira, a qual também herdou do tio JOSÉ FREIRE DE ANDRADE, sargento-mor de Almeida.
As segundas núpcias foram com JOSÉ JOAQUIM FERREIRA CAPELO (1775-1816), nascido a 6-III-1775 em Idanha-a-Nova e falecido a 11-VII-1816 em Medelim; filho de Manuel Fernandes Ferreira, natural da Zebreira, casado a 24-IV-1758 em Alcafozes com D. Joana Lopes Leitão (n. 1730), nascida a 14-XI-1730 em Alcafozes.
Filho do 1.º casamento:
3.       MANUEL (1796-1796), nascido a 25-VI-1796 em Medelim, onde faleceu dois dias depois.
Filhas do 2.º casamento (3):
3.       D. MARIA FREIRE DE ANDRADE (n. 1798), nascida a 28-XI-1793 em Medelim, terra onde casou a 29-VIII-1813 com PEDRO JOSÉ MAURÍCIO DE AVELAR (n. 1792), nascido a 9-III-1792 em Medelim, alferes do Regimento de Milícias de Idanha-a-Nova, do qual teve geração que seguiu os apelidos CUNHA MORA.
3.       D. ANA MÁXIMA FREIRE CAPELO (n. 1800), nascida a 3-III-1800 em Medelim. Casou a 5-VI-1823 com o Tenente-coronel JOSÉ LOPES DA SILVA, natural da Zebreira – então viúvo de D. Maria Ana Joaquina de Oliveira –, filho de Joaquim Lopes da Silva, da Zebreira, e de D. Maria da Silva, natural de Penamacor.
Tiveram:
4.       D. MARIA BÁRBARA FREIRE DA SILVA CAPELO (c. 1845), natural de Idanha-a-Nova. Casou a 8-X-1845 na Zebreira com JOSÉ ANTUNES VALENTE LEITÃO MARROCOS, filho de José Valente Leitão Marrocos e mãe incógnita.
4.       JOSÉ JOAQUIM LOPES DA SILVA (n. 1824), nascido a 14-III-1824. Casou a 26-XII-1857 com D. MARIA CAPELO, filha de Francisco José e de D. Maria Capelo.
4.       D. MARIA PATROCÍNIO FREIRE CAPELO DA SILVA (c. 1859). Casou a 3-III-1859 na Zebreira com ALEXANDRE DE ANDRADE PISSARRA, filho de Simão de Andrade Pissarrra e de D. Rita Emília Monteiro (1796-1881), natural de Idanha-a-Nova.
4.       D. Maria Brizida Freire Capelo. S.m.n.
3.       D. MARIA BRÍZIDA FREIRE CAPELO (n. 1801), nascida a 23-X-1801 em Medelim. Casou a 18-II-1830 com TOMÁS JOAQUIM DE NOVAIS, natural de Monsanto (?), c.g.


§: 2


2.       JOÃO MANUEL LEITÃO MARROCOS, natural de Idanha-a-Velha, com a patente de Major, filho de João dos Reis Leitão Marrocos e de sua mulher D. Maria Petronilha Teresa Ferreira[9].
Já viúvo de D. Maria Joaquina Freire de Andrade (1763-1785) que vai acima (§:1, n.º 2), contraiu segundo matrimónio em 1790 em São Miguel de Acha com D. CONSTÂNCIA MARIA ESTEVES CORDEIRO (n. 1755), filha de Manuel Antunes Valente (n. 1722) e de sua mulher D. Úrsula Maria Esteves Cordeiro (n. 1727)[10], todos naturais de São Miguel de Acha, concelho de Idanha-a-Nova.
          Filha:
3.       D. ROSA EMÍLIA VALENTE LEITÃO MARROCOS (n. 1796), que segue.

3.       D. ROSA EMÍLIA VALENTE LEITÃO MARROCOS (n. 1796), nascida a 5-VII-1796 em Idanha-a-Velha, onde casou com ANTÓNIO JOAQUIM CASTRO E SILVA (n. 1795), nascido a 12-VII-1795, que foi militar com o posto de Major.
          Filha:
4.       D. MARIA EMÍLIA CASTRO E SILVA, que segue.

4.       D. MARIA EMÍLIA CASTRO E SILVA (n. 1818), nascida a 5-IV-1818 em Alcains. Casou por volta de 1842 em Alcains com seu parente ANTÓNIO DE PÁDUA LEITÃO MARROCOS, natural de Idanha-a-Velha, filho de João dos Reis Leitão Marrocos e de D. Maria Petronilha Teresa Ferreira.
          Filha:
5 (?).  ANTÓNIO DE PÁDUA E SILVA LEITÃO MARROCOS (1879-1957), cuja filiação, apesar de duvidosa, segue no §: 3, n.º 5.
5.       D. MARIA JOSÉ DA SILVA MARROCOS, que segue.

5.       D. MARIA JOSÉ DA SILVA MARROCOS, natural de Idanha-a-Velha. Casou com ANTÓNIO MANUEL SOARES CORREIA, natural de Belmonte[11]. Seu marido era filho de Luís Mendes Fajardo Soares, natural de Belmonte, e de sua mulher D. Maria Ludovina Soares Correia (n. 1796), nascida a 29-II-1796 em Famalicão, concelho da Guarda; neto materno de José Soares Correia, e de sua mulher D. Ana Madalena de Matos, ambos naturais da freguesia de Aldeia do Mato, no concelho da Covilhã.
Filhas:
6.       D. JOSEFINA MARROCOS CORREIA (1870-1964), nascida a 28-III-1870 em Belmonte, falecida a 14-XII-1968 em Alcains. Casou a 28-V-1887 com JOSÉ PINTO TABORDA RAMOS (f. 1924), natural de Medelim[12]; filho de António Maria Taborda Ramos (n. 1845), nascido a 21-II-1845 em Medelim, e de sua mulher D. Francisca Pinto Correia da Costa (1839-1902), nascida em 1839 na Capinha, concelho do Fundão, e falecida a 25-II-1902 em Alcains.
Residiram em Alcains, terra onde tinham avultado património herdado dos seus antepassados
6.       MARIA EMÍLIA MARROCOS (c. 1875). Casou duas vezes.
As primeiras núpcias foram com JOAQUIM GUILHERME DA CUNHA PIGNATELLI (n. 1862), filho de Joaquim Guilherme da Cunha Pignatelli (n. 1820), natural de Idanha-a-Nova, e de sua mulher D. Maria do Resgate Esteves da Fonseca e Carvalho (1829-1885), 1.ª Viscondessa do Tortosendo, natural do Fundão. Deste casamento houve geração que chegou aos nossos dias com os apelidos CUNHA PIGNATELLI.
As segundas núpcias foram com seu parente ANÍBAL AUGUSTO MARROCOS LEITÃO (1878-1951),natural de Belmonte, filho de Miguel Serafim de Figueiredo Madeira Leitão (n. 1839), natural do Teixoso, concelho da Covilhã, e de sua mulher D. Maria da Piedade Pereira da Cunha (n. 1837), natural de Belmonte. Deste casamento houve geração que chegou aos nossos dias.

Idanha-a-Velha, Catedral
(de origem visigótica)

Idanha-a-Velha,
Torre Templária.

















§: 3

5.       ANTÓNIO DE PÁDUA E SILVA LEITÃO MARROCOS (1879-1957), de seu nome completo (§: 2, n.º 5), era natural de Idanha-a-Velha, concelho de Idanha-a-Nova, que supomos ser filho de António de Pádua Leitão Marrocos e de sua mulher D. Maria Emília de Castro e Silva (n. 1842), nascida em Alcains a 5-IV-1818.  
Foi o “último morgado de Idanha-a-Velha[13]. Nos anos 30 foi presidente da junta de freguesia desta antiquíssima localidade que por sua iniciativa se autonomizou em 1932 da freguesia de Alcafozes a que até então pertencia, em consideração ao seu glorioso e passado histórico. Notabilizou-se por ter sido um grande numismata[14], assim como coleccionador de antiguidades e de monumentos epigráficos recolhidos nas suas extensas propriedades.
Foi senhor da Casa de Marrocos, à qual pertenciam a quase totalidade das terras da freguesia de Idanha-a-Velha, cuja diminuta população local era em grande parte sua assalariada, assim como da Casa de Marrocos na freguesia de Pedrógão de São Pedro, no concelho de Penamacor.
Casou com D. MARIA EMÍLIA CAPELO MANZARRA FRANCO (1882-1955), natural de São Miguel de Acha, concelho de Idanha-a-Nova, a qual tinha mais irmãos – o José (f. 1883) que faleceu com seis anos de idade, a Emília (f. 1887) também falecida com 6 anos de idade, o António (origem dos actuais Salazar Manzarra), e o Frederico Manzarra –, e era filha de Jerónimo José Manzarra (f. 1890), natural de Idanha-a-Nova, onde faleceu a 27-V-1890, e de sua mulher D. Maria Rita Capelo da Fonseca Franco, natural de Alcafozes.
Idanha-a-Nova, Casa Manzarra.
Casa Manzarra, Capela.
Este casamento consolidou a união de famílias proeminentes e abastadas da Beira Baixa. São elas: os MARROCOS, morgados de Idanha-a-Velha; os MANZARRA de Idanha-a-Nova; e os FRANCOS da Capinha – todas com vasto património fundiário herdado de gerações anteriores. Também tinham património nos concelhos de Belmonte e de Penamacor. No património de Penamacor estava englobado o Solar de Marrocos da freguesia de Pedrógão de São Pedro.
Idanha-a-Velha,
Museu Lapidar Egiditano.
António de Pádua e Silva Leitão Marrocos foi o fundador do então designado «"Museu Lapidar Egeditano" numa capela românica de antiga evocação a S. Sebastião e recuperada para o efeito. Aí se foram recolhendo lápides e outros materiais arqueológicos que iam aparecendo no decurso das actividades agrícolas, ao mesmo tempo salvaguardando a ida para Lisboa, destino esse que calhou a centenas de peças nos alvores do século XX. Com o começo das escavações por parte de D. Fernando de Almeida, a Sé é recuperada e para aí são enviadas as lápides do anterior Museu, assim como são reenviadas de Lisboa as peças que para lá tinham ido.»[15].
Filhos:
6.     MARIA ALICE MANZARRA MARROCOS (1906-1915), falecida a 23-IX-1915 com nove anos de idade.
6.    ANTÓNIO CAPELO MANZARRA LEITÃO MARROCOS (1908?-1935), aluno de Geografia na Faculdade de Letras de Lisboa quando morreu em 1935 num acidente de automóvel junto a Tomar, tendo deixado uma pequena obra intitulada «Idanha-a-Velha: Estudo Antropogeográfico» (Famalicão: 1936), editada postumamente por iniciativa do Dr. Jaime Lopes Dias que a prefaciou, pois, segundo este, o seu autor "… tinha muito a dar para o desenvolvimento da Beira Interior e para o combate à miséria e pobreza, a avaliar pelas suas posições ideológicas".
(in http://asp3.blogspot.pt/2004/07/idanha-velha-estudo-antropogeogrfico.html). 
6.       FREDERICO CAPELO MANZARRA FRANCO MARROCOS (1918-1997), que segue.

6.    FREDERICO CAPELO MANZARRA FRANCO MARROCOS (1918-1997), nascido a 4-X-1918 na Casa Marrocos, em Idanha-a-Velha[16], e falecido a 10-XI-1997 em Lisboa. Foi o único herdeiro da Casa de Marrocos e da quase totalidade de terras da freguesia de Idanha-a-Velha, assim como da Casa de Marrocos na freguesia de Pedrógão de São Pedro, concelho de Penamacor, por falecimento prematuro dos dois irmãos.
       Casou a 23-XI-1949 em Fátima com D. MARIA DE LOURDES PALMA BRANCO TRIGUEIROS MARTEL SAMPAIO (1925-1949) nascida a 20-II-1925 na cidade da Beira, em Moçambique, e falecida a 25-IX-1992 em Lisboa.
Idanha-a-Velha, Casa de Marrocos.
Sua mulher era filha de Radamés Trigueiros Martel Sampaio (n. 1893), nascido a 13-VII-1893 na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, o qual tomou parte em várias campanhas militares em Moçambique, nomeadamente na Gorongosa e no Barué, no período da Grande Guerra, as quais lhe valeram algumas medalhas. Este casou a 17-V-1924 na freguesia de Santa Maria da Feira, em Beja, com D. Lúcia Palma Branco (n. 1899), filha de Manuel Guerreiro Costa Branco e de sua mulher D. Bárbara Joaquina do Carmo Palma; neta paterna de D. Amélia Palmira Soares e Sousa Trigueiros Martel Sampaio (1863-1946) com José se Sousa Loureiro (f. 1927).
Idanha-a-Velha, Casa de Marrocos.
D. MARIA DE LOURDES, era tetraneta pelo lado paterno de João José Martins Pereira do Rego Goulão (n. 1758), nascido a 6-VIII-1758 em Castelo Branco, senhor do Solar dos Goulões em Alcains, fidalgo de cota de armas por carta de 20-III-1821, na qual lhe foi atribuído um brasão de armas partido em pala de PEREIRA e de REGO, e de sua mulher D. Maria Antónia Trigueiros Martel Rebelo Leite (n. 1770)[17]
Tiveram:
7.     D. MARIA DA GRAÇA SAMPAIO MANZARRA MARROCOS (n. 1955), que segue abaixo.
7.    D. MARIA EMÍLIA SAMPAIO MANZARRA MARROCOS (n. 1957), nasceu a 23-IV-1957 em Idanha-a-Velha, licenciada em Ciências Domésticas, em Madrid, Espanha. Solteira.
7.   D. MARIA DA CONCEIÇÃO SAMPAIO MANZARRA MARROCOS, licenciada em farmácia, trabalha em gestão de projectos educativos. Solteira.

7.     D. MARIA DA GRAÇA SAMPAIO MARROCOS (n. 1955) nasceu a 15-XI-1955 na Casa Marrocos em Idanha-a-Velha. Empresária agrícola, residente na Granja de São Pedro, em Alcafozes, no concelho de Idanha-a-Nova.
         Casou a 22-III-1997, em Idanha-a-Nova, com ILÍDIO NEVES CARVALHO VITAL (n. 1952), nascido a 5-IX-1952 na freguesia do Rosmaninhal, concelho de Idanha-a-Nova.



Idanha-a-Velha.
Idanha-a-Velha, Catedral (interior).











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Notas:

[1]  O apelido MARROCOS foi tirado do lugar de Marrocos, na freguesia de Lanhelas, concelho de Caminha. Foi um ramo desta família que deu o nome á Quinta de Marrocos em Lisboa, doada ao Estado para nela ser instalada um equipamento escolar. A sucessão genealógica deste ramo vem publicada em Armando B. Malheiro da Silva, e António Júlio Limpo Trigueiros, Sidónio Pais, De Caminha ao Panteão Nacional (Viana do Castelo, Centro de Estudos Regionais, 1999), pp. 203-211.
[2]  João Baptista, Carta Arqueológica da Freguesia de Idanha-a-Velha, in «PRESERVAÇÃO», n.º 17, Associação de Estudos do Alto Tejo (Vila Velha de Ródão, 1998).
[3]  FERNANDO AFONSO GIRALDES DE ANDRADE E MENESES (1770-1835), nascido a 10-IV-1770 e baptizado a 18 de Abril do mesmo ano por seu tio paterno o Reverendo Francisco António Marques Giraldes de Andrade na freguesia de Santos-o-Velho, em Lisboa, veio a falecer na Praia de Mira e foi enterrado em São Paio de Arcos a 2-XI-1835. Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra e seguiu a carreira da magistratura na qual chegou a desembargador da Casa da Suplicação, desembargador dos Agravos (1804), chanceler e governador da Relação e Casa do Porto (1813), deputado da Mesa da Consciência e Ordens (1789). Moço fidalgo da Casa Real (30-IV-1783), alcaide-mor de Monsanto (7-I-1789), senhor donatário de Medelim, cavaleiro de Malta, Cavaleiro da Ordem de Cristo (1789), comendador de São Miguel de Fornos, na mesma Ordem e conselheiro de Sua Majestade. Por sucessão a seu pai foi o 13.º Senhor do Morgado dos Giraldes (instituído em 1458) da Casa da Graciosa (marqueses da Graciosa), em Idanha-a-Nova, ao qual já estava ligado o Morgado da Casa e Quinta dos Arciprestes em Lisboa (instituído por volta de 1779), junto à antiga Estrada de Entremuros (actual Rua de Artilharia Um), e o Morgado da Tapada do Alardo (instituído em 1617). 
Casou a 17-II-1791 com D. MARIA JOANA DAS DORES DE MELO SAMPAIO PEREIRA DE FIGUEIREDO E BOURBON (n. 1778), nascida a10-IV-1778 na Quinta da Graciosa, Anadia, uma das mais ricas herdeiras do seu tempo: 10.ª Morgada do Casaínho, 10.ª Senhora e 7.ª Administradora do Morgado do Ramirão, 12.ª Administradora da Capela de Casal Vasco, administradora do Prazo de Dona Briolanja, Morgada dos Botelhos e de Gonçalo, na Guarda, administradora da Capela de Vila Cova, Senhora da Casa e Morgado da Graciosa, senhora dos Prazos da Figueira de Boialvo, de Vila Nova da Rainha e da Honra de Real. Tiveram sete filhos.
[4]  BARTOLOMEU JOSÉ NUNES CARDOSO GIRALDES DE ANDRADE (1715-1789), sucessor nos morgados da Casa de seus pais, pelo que foi 12.° Administrador do Morgado dos Giraldes e 2 ° do Morgado dos Andrades, em Idanha-a-Nova, tendo recebido também o Morgado dos Arciprestes que, por escritura e acordo entre ele e seu irmão Francisco, fora incorporado no dos Giraldes de Idanha-a-Nova. Nasceu a 30-VII-1715 e foi baptizado a 12 de Setembro do mesmo ano em Idanha-a-Nova.
Formou-se em Direito na Universidade de Coimbra, após o que fez a sua habilitação para os lugares de letras. Habilitou-se também para o Santo Ofício (3-X-1754). Foi corregedor na comarca da Guarda e ouvidor na Alfândega de Lisboa, assim como desembargador da Relação e Casa do Porto e desembargador dos Agravos, chanceler da Casa da Suplicação (14-VI-1764), procurador da Real Fazenda (1765), conselheiro da Real Fazenda (1769-1782), desembargador do Paço (24-III-1772) acumulando o cargo com o de conselheiro de El-Rei e secretário de estado da Rainha D. Maria Ana Vitória, regedor das Justiças (1783-1786),conservador da Junta da Administração do Tabaco e ouvidor da Casa de Bragança. Era fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Malta, cavaleiro da Ordem de Cristo e comendador de São Miguel de Fornos, no Bispado de Viseu. Em 1789, já com 74 anos e doente, a Rainha D. Maria II recompensa-o de todos os serviços que prestou, fazendo-lhe a mercê do Senhorio da Aldeia de Medelimelevada a Vila” (2-IX-1789) e a da alcaidaria-mor de Monsanto, em duas vidas, devendo recair a 2.ª vida no filho que lhe sucedesse. Morreu muito pouco tempo depois a 11-VII-1789 na sua Casa e Quinta dos Arciprestes, em Lisboa.
Casou a 16-VII-1768 na capela do palácio de Oeiras, do futuro Marquês de Pombal, com D. INÊS DE VERA BARBA DE MENESES (n. 1752), nascida a 27-VI-1752, filha de Gonçalo Luís Barba Correia Alardo de Pina e Lemos e de sua mulher D. Ana Joaquina Lourenço de Carvalho Camões e Meneses, e falecida a 6-I-1812 na Casa dos Arciprestes em Lisboa, com testamento. Tiveram nove filhos.
[5]   ANTÓNIO FREIRE DE ANDRADE (1719-1789), em 1771 solicita ao Tribunal de Desembargo do Paço licença para “unir a hum vinculo só, os dois que o seu tio p Prior do dito lugar lhe doou, e meteo de posse” com “seus bens adquiridos”
[6]  O casamento legítimo de ANTÓNIO FREIRE DE ANDRADE (n. 1703) foi com D. LUISA INÊS LEITÃO DE CARVALHO (c. 1685), natural de São Miguel, Aveiro, da qual teve geração.
[7]  D. MARIA TERESA DE PROENÇA GIRALDES tinha outos irmãos, dos quais conhecemos:
1.º D. RITA MARIA PROENÇA GIRALDES (1725-1764), nascida a 24-II-1725 em Pêro Viseu, Fundão, falecida a 7-VII-1764 em Medelim, a qual casou a 1-XI-1750 na igreja do Salvador da vila de Monsanto, nas segundas núpcias do Capitão JOAQUIM XAVIER DE AVELAR (1719-1788), nascido a 25-XI-1719 em Medelim, e aí falecido a 10-XI-1788, o qual já fora casado em primeiras núpcias com D. Antónia Agostinha, do lugar de Pedrógão de São Pedro, no concelho de Penamacor;
2.º – D. MARIA JOSEFA DE PROENÇA GIRALDES, que foi casada com o Capitão MANUEL GONÇALVES SIDRAL, natural de Monsanto, união que foi breve devido ao falecimento deste último, pois figura como viúva num baptizado ocorrido em 1751;
3.º – DOMINGOS MARTINS PROENÇA, capitão.
[8] Sanches Roque, Alcains e a sua História (Castelo Branco, 1970), pp. 429-430. – Com imprecisões e erros que foram confrontadas com outros autores e informantes da família Marrocos.
[9] Sanches Roque, Alcains e a sua História (Castelo Branco, 1970), pp. 429-430. – Com imprecisões e erros que foram confrontadas com outros autores, assim como informações prestadas pela própria família. A existência de vários homónimos, ao longo de várias gerações muito próximas e muitas vezes referidos apenas pelo primeiro e último nome, dificulta a correcta identificação de cada um deles.
[10]  Loc cit.
[11]  Sanches Roque, Op. cit., pp. 429-430..
[12]  Sanches Roque, Alcains e a sua História (Castelo Branco, e. a., 1970), pp. 429-430 (com erros).
[13] Era respeitosamente tratado por morgado pela população local, apesar de ter nascido em 1879, já depois da extinção dos morgadios por força do decreto de 19-V-1863.
[14]  Parte da sua colecção de moedas portuguesas foi apresentada na «Exposição do Mundo Português» (1940).
[15]  Joaquim Baptista, «Por terras do Rei Wamba» (in. http://porterrasdoreiwamba.blogspot.pt/2007/02/museografia-de-idanha-velha.html.
[16] Idanha-a-Velha foi fundada no século I a.C. e teve uma importância vital para o Império Romano que a muralhou entre os séculos III a IV para resistir às Invasões Bárbaras. Posteriormente veio a ser conquistada pelos visigóticos que lhe edificaram a Catedral, o Palácio dos Bispos, o Paço episcopal e a Ponte de São Dâmaso. Posteriormente foi tomada e destruída pelos mouros (713), nunca mais alcançando o esplendor do passado. Foi reconquistada pelo Rei Afonso III de Leão, que a perdeu, tendo sido reconquistada pelo Rei D. Sancho I, e doada por D. Dinis à ordem de cristo (1319).
[17] D. MARIA ANTÓNIA TRIGUEIROS MARTEL REBELO LEITE (n. 1770), era filha de Jerónimo Trigueiros Martel Rebelo Leite (1716-1792), capitão do Terço de Infantaria Auxiliar de Castelo Branco, e de sua segunda mulher D. Maria Angélica Marques Goulão (1725-179).