Mostrar mensagens com a etiqueta Joao Trigueiros. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Joao Trigueiros. Mostrar todas as mensagens

2012-10-16

Casa Oliveira e Cunha (Séc. XVII) - Fundão

Padre Miguel de Oliveira e Cunha (f. 1696)

Rua da Misericórdia
(Largo da Igreja Matriz, Fundão)


Pedra de armas do
Padre Dr. Miguel de Oliveira e Cunha
(f. 1696)
Fundão, Casa Oliveira e Cunha (lado dto.)




                        Brasão de:    Miguel de Oliveira e Cunha (f. 1696)
                        Forma:          Escudo português, esquartelado: o 1.º de CUNHA – nove cunhas,
                                              postas 3, 3 e 3; o 2.º de OLIVEIRA – uma oliveira; o 3.º e 4.º, em
                                              conjunto, de PROENÇA – o primeiro destes com uma águia bicéfala,
                                              e o segundo com cinco flores-de-lis, postas em sautor.
                        Timbre:         Em sua substituição um chapéu de abade (capelo), do qual pendem
                                              de ambos os lados cordões com seis borlas.
                        Local:           Fachada de casa no Largo Dr. Alfredo da Cunha, n.º 15, Fundão
                        Data:             Abril -1689


       Situada no Largo Dr. Alfredo da Cunha, no adro da igreja matriz do Fundão, há uma casa solarenga armoriada com a pedra de armas do padre MIGUEL DE OLIVEIRA E CUNHA (f. 1696), como veremos. Esta andou erradamente atribuída, por diversos investigadores e pela população local, a D. Luís de Brito Homem (1748-1817) bispo de Angola (1791) e do Maranhão (1802).

BRASÃO
Padre Miguel de Oliveira e Cunha
(f. 1696).
Esquartelado:
1.º - CUNHA,  2.º - OLIVEIRA,
3.º e 4.º - PROENÇA.
     O brasão desta casa, do qual não se conhece processo de justificação de nobreza nem o correspondente alvará concessão, apresenta um escudo esquartelado com as armas dos antepassados do seu proprietário. Grande parte do clero saído da nobreza, vivendo em condições de privilégios e isenções, assim como os familiares do Santo Ofício, muitas vezes começaram por usar armas assumidas.

     Esta pedra de armas ostenta um escudo português esquartelado: o 1.º de CUNHA (em campo de ouro com nove cunhas de azul, postas 3, 3 e 3); o 2.º de OLIVEIRA (de vermelho com uma oliveira, arrancada de prata e frutada de ouro); o 3.º e 4.º, em conjunto, de PROENÇA (o primeiro de verde com uma águia bicéfala de negro, e o segundo de azul com cinco flores-de-lis de ouro postas em sautor).

     Sobre o escudo figura um chapéu de abade (capelo), do qual pendem, de ambos os lados, cordões com seis borlas, por pertencer a um clérigo. Este tipo de ornamentação do escudo, que faz de “timbre” nos abades, tem mais dois exemplos neste concelho e era prática comum aos familiares do Santo Ofício[1].
Saliente-se que a sua forma, embora muito frequente, não é a adequada, visto pertencer a um sacerdote, o qual devia blasonar as suas armas num escudo de forma oval.


MORGADO DE SÃO MIGUEL ARCANJO
       Anexa a esta casa temos a Capela de São Miguel Arcanjo que foi cabeça do morgado de São Miguel[2], instituído em 8-VII-1689 com bens vinculados em testamento pelo padre Miguel de Oliveira e Cunha (f. 1696)[3], e legado a seu sobrinho-neto para este casar com uma sua prima. O destinatário deste legado era Francisco Pereira Pinto do Lago de Oliveira (f. 1760), de seu nome completo. 
Capela
de São Miguel Arcanjo,
cabeça do morgado. 

       Tivemos notícia da existência do testamento que instituiu este vínculo, à data da morte do padre Miguel, por um extracto lançado no livro de notas que registou ao longo de vários séculos as “Capelas e nomes dos administradores” com as respectivas obrigações de missas e encargos pios. Este manuscrito foi iniciado em 1557 pelo então prior do Fundão, o licenciado Simão de Sequeira[4].

       Quanto a FRANCISCO PEREIRA PINTO DO LAGO OLIVEIRA (f. 1760), era filho de Miguel Pereira Pinto do Lago (bp. 6-I-1672)4.º morgado do Arco, e de sua primeira mulher D. Catarina de São Nicolau da Fonseca Leitão, natural de Alcongosta; neto paterno de Francisco Pereira Pinto Guedes (c. 1630), nascido em Vila Real, casado a 7-III-1650 em Braga com D. Maria Pereira do Lago (n. 1633); neto materno de João de São Nicolau da Fonseca Leitão (1624-1692), morgado de São Nicolau, em Alcongosta, e de sua mulher D. Catarina de Oliveira e Cunha (f. 1696).
       Foi ele o 1.º administrador da capela de São Miguel, pelo casamento com sua prima D. MARIA LUÍSA VITÓRIA DE BRITO HOMEM[5], natural do Fundão, filha de Manuel de Brito Homem[6], e de sua mulher D. Isabel de Brito, herdeira de metade da Quinta de Figueiredo, no Fundão[7]; neta paterna de Manuel Homem de Brito (filho de Francisco Salvado) e de D. Brites Nunes Brito (filha de Manuel Rodrigues de Puga).

       Caso se extinguisse a sucessão nomeada para a administração deste capela, conforme se declara num extracto no dito Livro das Capelas, seria a Santa Casa da Misericórdia do Fundão a ser «chamada por administradora em defeito de sucessores»: foi isso que terá acontecido mais de dois séculos depois da sua fundação, pois, já no princípio do século XX, passou para a Santa Casa da Misericórdia, desconhecendo-se os pormenores relativos a esta mudança de titularidade. 
      Devido ao facto de ter estado bastante arruinada, perdeu o seu recheio interior original, assim como sofreu obras na sua frontaria, as quais lhe acrescentaram o actual frontão que é proveniente da Capela de São Pedro Novo[8]
       Dos encargos pios desta capela faziam parte um apreciável número de missas anuais pelas almas de várias pessoas. Todos os domingos e dias santos rezava-se missa por «tenção» do testador (o padre Miguel), todas as quartas-feiras de cada semana «por seu pai e mãe», às sextas-feiras pelos administradores da capela e morgado «das quais missas ditas nas sextas f.as se aplicarão oito missas cada a. p.las de minhas tias M. Barreiros e Helena de Oliveira »[9].
      Desconhece-se a extensão dos bens que lhe foram vinculados. Quanto ao valor monetário dos encargos (missas), certamente beneficiaram os vários sacerdotes que esta família teve em sucessivas gerações, ficando o administrador com o remanescente do rendimento.

O detentor do brasão
        A pedra de armas desta casa é do padre Miguel de Oliveira e Cunha (f. 1696). Foi ele que instituiu este morgado sob a invocação do santo do seu nome (São Miguel), do qual os seus mais distantes antepassados de Aldeia Nova do Cabo já eram devotos, pois aí também instituíram o morgado de São Miguel na capela da Casa do Terreiro.
       São os seus apelidos, vindos dos seus avós, que figuram no esquartelado da pedra de armas, os quais já figuravam no brasão anteriormente concedido ao seu progenitor.

       MIGUEL DE OLIVEIRA E CUNHA (f. 1696), bacharel em Leis, foi prior da Igreja de São Gonçalo do Teixoso e, posteriormente, da Igreja de São Martinho do Fundão (1670-1686).
       Era um dos filhos de António Rodrigues de Oliveira (f. 1655), um fidalgo da Casa Real que em 1630 obteve Carta de brasão de armas esquateladas: o 1.º de OLIVEIRA; o 2.º de CUNHA; o 3.º de PROENÇA; e o 4.º de SILVA[10].
       Sua mãe, D. Beatriz Figueira Castelo Branco, era filha de Pedro Figueira Castelo Branco e de sua mulher D. Maria Rodrigues, de Aldeia Nova do Cabo[11].
       Era neto paterno Miguel Rodrigues Barreiros, e de sua mulher D. Ana de Oliveira e Cunha; segundo neto paterno de Gaspar Proença (filho de Pedro de Oliveira), casado com D. Ana da Cunha; terceiro neto paterno de Diogo Paes da Cunha, cavaleiro da Casa Real de D. João III, todos eles moradores em Aldeia Nova do Cabo[12].

       De entre todos os irmãos do padre Miguel[13], sabemos ter ficado geração da sua irmã Catarina de Oliveira e Cunha (f. 1696) casada com João de São Nicolau da Fonseca Leitão (1624-1692), morgado de São Nicolau, em Alcongosta, o qual por sua vez era filho de Gonçalo Leitão da Fonseca (f. 1658), alferes do Rosmaninhal, e de sua mulher Isabel de São Nicolau (f. 1646), herdeira do morgado de São Nicolau em Alcongosta que foi instituído a 3-IV-1598.

      Do casamento da irmã do padre Miguel com o morgado de São Nicolau (Alcongosta), sabemos ter nascido a filha D. CATARINA DA FONSECA LEITÃO, casada nas primeiras núpcias de MIGUEL PEREIRA PINTO DO LAGO (bp. 6-I-1672), que foi 4.º morgado do Arco por morte de seu irmão, do qual teve, entre outros, dois filhos:
       O 1.º filhoNICOLAU PEREIRA PINTO DO LAGO DA FONSECA (f. ?), que casou em vida de seu pai contra a sua vontade. Herdou da mãe o vínculo de São Nicolau (Alcongosta) e andou numa longa demanda judicial com o seu irmão por causa da divisão dos morgados. Casou com D. JOSEFA FREIRE DE MELO E SÃO PAIO. Estes tiveram uma filha herdeira, que foi D. MARIA PEREIRA DE MELO SÃO PAIO, administradora do morgado de São Nicolau, casada com FILIPE DE SERPE DE SOUSA E MELO (c. 1758), natural de Viseu, no qual andava a posse do citado morgado em 1758. Tiveram geração que chegou aos nossos dias.
       O 2.º filhoFRANCISCO PEREIRA PINTO DO LAGO DE OLIVEIRA (f. 1760), senhor do morgado da Casa do Arco em Vila Real, cuja sucessão se ficou a dever ao facto de seu irmão Nicolau ter falecido primeiro do que o seu pai[14]. Foi fidalgo da Casa Real e casou com D. MARIA LUÍSA VITÓRIA DE BRITO, do Fundão, senhora do morgado de São Miguel, filha herdeira de Manuel Homem de Brito e de D. Isabel de Brito, do Fundão. Faleceu a 16-VIII-1760. D. Maria Luísa era irmã de Manuel de Brito Homem, clérigo. 

Fundão, Casa Oliveira e Cunha.
       A disputa judicial pela herança, terá levado à divisão do próprio solar do Fundão entre os dois irmãos e seus respectivos herdeiros. Talvez, por esta razão a sua fachada actual apresente duas pedras de armas diferentes: a dos PINTO que competiam ao morgado da Casa do Arco; e dos OLIVEIRA e CUNHA que competia ao morgado de São Miguel.
       A pedra de armas dos PINTO tem um escudo que seria de prata com cinco crescentes de vermelho, postos em sautor (2, 1 e 2); por Timbre, um leopardo de prata, armado e lampassado de vermelho, com um crescente do mesmo na espádua.


Fundão, pedra de armas
            dos PINTO.
       Deste conjunto edificado, a parte que tem a fachada com a pedra de armas dos PINTO, é a mais antiga[15], como denotam as cantarias biseladas das janelas, assim como a diferente disposição das diversas águas do telhado.
       Daqui concluímos que, à casa inicial com o brasão da família PINTO (?) – certamente dos antepassados do padre Miguel (Oliveiras?) –, e no local de um anterior logradouro, foi edificado o pequeno e sóbrio solar do padre Miguel.

        Tudo nos leva a crer que o fundador do morgado de São Miguel, senão da própria casa, ao opor o seu brasão na fachada, e ao instituir o vínculo na capela em que veio a ser sepultado, teve a intenção de perpetuar o seu nome e memória muito para além da sua existência terrena.
      O destino frustrou-lhe as intenções, pois, algumas décadas depois, agigantou-se um vulto nascido nesta casa, o qual quase precipitou no esquecimento a memória do padre Miguel que aqui resgatamos.
        Falamos de D. LUÍS DE BRITO HOMEM (1748-1817), que aqui nasceu a 8-VIII-1748  e foi baptizado a 19-VIII-1748 na igreja Matriz. Viria a ser ordenado padre a 20-VIIII-1777, ocupando o cargo de bispo de Angola (1791-1801) e do Maranhão (1801-1813), cidade onde faleceu a 10-XII-1813 e onde foi sepultado na capela-mor da Catedral de São Luís. Familiar da mulher do 1.º morgado, cujo exacto parentesco desconhecemos, foi uma das figuras notáveis do seu tempo. Era o primogénito dos oito filhos de Diogo de Brito Homem (c. 1747), um dos primeiros vereadores da Câmara do Fundão após a criação deste concelho (10-V-1747), casado no Castelejo com D. Joana Teresa de Jesus[16]. Era neto paterno das primeiras núpcias de Luís de Brito Homem com D. Maria de Sousa; bisneto paterno de Domingos Jorge Dias e de D. Maria Nunes de Brito (filha de Manuel Alvares Reixa e de D. Joana Nunes de Brito). 

Herdeiros do instituidor do Morgado       
       O vínculo de São Miguel Arcanjo, devido a diversas disposições testamentárias do seu fundador, as quais não conhecemos na totalidade, parece ter sido deixado em dote a D. MARIA LUÍSA VITÓRIA DE BRITO HOMEM[17], filha de Manuel de Brito Homem, e de sua mulher D. Isabel de Brito, para esta casar com seu primo FRANCISCO PEREIRA PINTO DO LAGO DE OLIVEIRA (f. 1760)[18], que foi o 1.º morgado de São Miguel. Este era filho das primeiras núpcias de Miguel Pereira Pinto do Lago (n. 1672?), baptizado a 6-I-1672, em São Pedro, Vila Real, fidalgo da Casa Real, 4.º senhor do morgado da Casa do Arco em Vila Real, casado em primeiras núpcias a 23-IX-1680 em Alcongosta com sua prima D. Catarina da Fonseca Leitão (f. 1687), filha herdeira do morgado de São Nicolau, em Alcongosta. Seu pai Miguel Pereira Pinto do Lago voltou a casar em segundas núpcias com D. Ana Maria Coutinho Vilhena, filha de Manuel de Brito Homem, senhor do vínculo de Valverdinho na Covilhã, e de sua mulher D. Teresa Pereira Coutinho Vilhena; tendo sido desta linhagem que provem o Bispo de Angola e do Maranhão.

       Do casamento dos primeiros morgados de São Miguel, D. Maria Luísa Vitória de Brito Homem com Francisco Pereira Pinto de Oliveira, nasceram, entre outros, o primogénito e seu sucessor, que foi:
       MIGUEL ANTÓNIO VAZ GUEDES PEREIRA PINTO (c. 1783), 2.º morgado de São Miguel, fidalgo da Casa Real por Alvará de 1738, bacharel em Leis, que também herdou a Quinta de Figueiredo e de Monte Velho no Fundão. Casou a 10-X-1756 em São Dinis, Guimarães, com sua prima D. FRANCISCA MARGARIDA PEREIRA PINTO TEIXEIRA DE MAGALHÃES.

       Deste matrimónio do 2.º morgado de São Miguel, nasceram vários filhos e filhas que propagaram os apelidos VAZ GUEDES e VAZ PINTO, todos eles afectos à causa do rei D. Miguel I, dos quais destacamos:

      JOSÉ VAZ PEREIRA PINTO GUEDES (1764-1834), 1.º Visconde de Vila Garcia (Decreto de 3-VII-1823), nascido a 19-III-1764, comendador da Ordem de Cristo, e provedor de Guimarães. Casou a 8-XII-1784 com D. Ana Josefa Benedita Rita da Fonseca e Vasconcelos, senhora da Casa da Igreja, em Vila Garcia (Amarante), da qual teve geração. Afecto à causa de D. Miguel, a 13-III-1823 tomou parte no combate de Santa Bárbara junto a Chaves, às ordens de Manuel da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira (1792-1839), 2.º Conde de Amarante. Neste recontro também combateu o seu único filho varão Miguel Vaz Pereira Pinto Guedes (1791-1823), alferes de Cavalaria, que aí morreu em combate. 

         MIGUEL FRANCISCO VAZ GUEDES PEREIRA PINTO (n. 1765), o herdeiro do morgado de São Miguel[19], teve do seu segundo casamento com D. Ana Joaquina de Brito Ataíde da Cunha Malafaia um filho herdeiro primogénito que foi MIGUEL VAZ PINTO GUEDES DE ATAÍDE MALAFAIA, senhor da Honra de Barbosa (Rans, Penafiel)[20], da casa do Arco em Vila Real, e talvez o derradeiro senhor do morgado de SÃO MIGUEL, entretanto extinto(?). Este seu sucessor foi casado duas vezes, e teve geração de ambos os casamentos.

       LUÍS VAZ PEREIRA PINTO GUEDES (1770-1841)2.º Visconde de Montalegre (Decreto de 3-VII-1823) pelo seu casamento a 13-II-1804 com D. Inês Maria Cândida Pinto Bacelar (1785-1819), da qual teve geração. Nasceu a 10-VIII-1770, tendo falecido a 10-V-1841. Foi moço fidalgo da Casa Real (20-XII-1778). Como militar abandonou o serviço quando Junot entrou em Portugal, e veio a tomar parte activa na revolução de 1808 contra os franceses. Foi brigadeiro (1823) e fez as campanhas da Guerra Peninsular. Aquando da Carta Constitucional, opôs-se pela força das armas ao estabelecimento do regime liberal no nosso país e foi o primeiro a levantar o primeiro grito da revolta a 26 e 27-VII-1826 tendo sublevado em Bragança o regimento 21 de Infantaria, acção que o levou ao exílio do qual regressaria no tempo do governo de D. Miguel que o promoveu ao posto de Brigadeiro e depois a Marechal de Campo.


Luís Vaz Pereira Pinto
Guedes (1770-1841),
2.º Visconde de Montalegre.



Torre da Honra de Barbosa.



Solar de Vila Garcia.



           Devido a não conhecermos o rendimento anual dos bens que estariam vinculados a esta capela, não podemos saber ao certo qual o impacto das diversas leis que limitaram e acabaram por abolir os morgados entre 1769 e 1863, por falta de importância económica [21].

      Desconhecemos, a partir daqui, o que aconteceu ao vínculo de São Miguel, assim como as circunstâncias em que aí nasceu o Bispo do Maranhão, que usava os apelidos BRITO HOMEM, os quais provinham da mulher do 1.º morgado.

Alpedrinha, Casa dos Britos.
       Quanto ao ramo fundanense da família BRITO HOMEM, originário do Sardoal, era descendente de um capitão-mor das ordenanças desta vila e por alianças matrimoniais ligaram-se a várias famílias da Beiras, nomeadamente aos Calvos (da Covilhã), aos Silvas (de Aldeia Nova do Cabo, da família de Fr. Diogo da Silva, 1.º Inquisidor do Reino), aos Freires Corte Reais (da Covilhã e de Castelo Branco), e aos Salvados (do Fundão), conforme se pode constatar em Felgueiras Gaio.
       Em Alpedrinha ainda existe a Casa dos Britos, ou Casa do Pátio — nome tirado do terreno murado contíguo à frontaria. Esta casa é talvez a única que podemos atribuir à família Brito, cujo brasão de armas foi retirado da sua fachada, quando estes alienaram este solar, e foi levado por um dos seus últimos herdeiros para uma sua quinta nas imediações de Tomar (Quinta das Avessadas?). Os Britos do Fundão são um ramo desta família, cujo brasão extraviado seria talvez o único que restava, a atestar na pedra, a sua passagem por este concelho.

       Pelo atrás exposto, poderemos concluir com segurança que a pedra de armas, o solar, e a Capela de São Miguel que lhe fica anexa, foram do padre Miguel de Oliveira e Cunha (f. 1696), que aí instituiu um vínculo em 1688, sob a invocação dos santo do seu próprio nome – São MIGUEL.

       Esperamos que, a partir de agora, a atribuição errónea desta pedra de armas e do seu solar, que corre em diversas publicações, fique definitivamente esclarecida …


Anexo: 

São Miguel Arcanjo; por Guido Reni, 1636.
         A veneração de SÃO MIGUEL ARCANJO, nesta zona da Beira Interior, leva-nos a algumas divagações sobre o enraizamento da sua devoção: quer entre as classes populares, quer entre a elite dominante.

       A Beira Interior terá acolhido judeus sefarditas desde tempos imemoriais, aos quais se juntaram parte dos mais de 100.000 judeus expulsos de Espanha (1492), e ainda cerca de 50 anos depois, muitos Cristãos Novos que foram forçados à conversão (cripto-judeus), para se subtraírem à vigilância do Santo Ofício. 

       As acusações de judaísmo perante o Santo Ofício não poupariam mesmo algumas famílias destacadas, as quais longinquamente teriam parentela com origem nesse povo errante que já estava na Península desde o tempo dos fenícios.

       É evidente que a maior parte, senão a totalidade desta população, tem sangue judaico e a cultura local está imbuída, sem disso se aperceber, de algumas tradições que deixaram vestígios na nossa vida espiritual.

       Não é por acaso que a vila do Fundão durante o século XVI já tinha um exagerado número de pequenas capelas edificadas, atendendo à pouca população da vila. Muitas destas capelas eram sede de pequenas capelas vinculadas (morgados) com o encargo de muitas missas, como se depreende do já citado manuscrito que, a partir de 1557 regista as Capelas e nomes dos administradores”.

      Entre a população local havia o desejo de contribuir para estas edificações, assim como para as imagens, alfaias e paramentos. Estas dádivas eram uma forma de afirmação pessoal da sua convicta, ou aparente, religiosidade; conforme o caso de estes contributos serem feitas por um verdadeiro cristão, ou por um cripto-judeu que se queriam resguardar, por esta espécie de salvo-conduto, das perseguições da Inquisição que se abateu sobre vários NUNES, CUNHAS e OLIVEIRAS do concelho do Fundão.

       O Arcanjo São Miguel, a cuja devoção esta família era dada, é curiosamente um santo transversal às duas religiões: a cristã e a judaica.

       No cristianismo – Novo Testamento –, São Miguel, que nunca foi canonizado, é um Arcanjo (está acima dos outros anjos) e lidera os exércitos de Deus contra as forças de Satã no Apocalipse.

       Na religião judaica, São Miguel, é uma espécie de advogado de defesa dos judeus e tomou um lugar importante na sua liturgia, apesar de estes não terem anjos como intermediários entre Deus e seu povo. Na Bíblia Judaica – Antigo Testamento – o profeta Daniel (Daniel, 10: 13-21) tem uma visão em que identifica o Arcanjo Miguel, como o protector de Israel, o qual no “tempo da grande tribulação” se levantará “a favor dos filhos do seu povo”.

       No Livro de Enoque (Apócrifo), São Miguel é designado como o príncipe de Israel.

       Na iconografia corrente o Arcanjo Miguel é representado matando uma serpente, alusão velada ao facto do Imperador Constantino ter derrotado o seu rival Licínio I (anti-cristão), no ano 324.

       Um dos papéis atribuídos a este Arcanjo é o de anjo da morte, levando as alma dos os falecidos para o céu, depois de as pesar numa balança, com a qual muitas vezes também é representado.


     Estas reflexões vêm a propósito da Capela de São Miguel Arcanjo que, para nós, e no contexto mencionado, se poderá afigurar uma devoção passível de um significado duplo – ou oculto –, que aqui deixamos registado…


Visitação, 1796? , 
 por José da Cunha Taborda (1766-1836).
       A contígua capela da Santa Casa da Misericórdia, tem uma dessas representações iconográficas (a Visitação), que nós valorizamos pelo seu possível duplo simbolismo, para além do seu significado óbvio, devido ao contexto da época e do local em que está inserida, no qual houve uma comunidade criptojudaica, e mesmo a sobrevivência de algum paganismo: crenças estas que se ocultavam debaixo de máscaras que ajudavam à sua sobrevivência.

     A Visitação (1796?, 300x200 cm) ficou a dever-se a uma encomenda feita pelo P.e Domingos da Cunha (outro Cunha ...), então provedor da Misericórdia, ao pintor fundanense José da Cunha Taborda (1766-1836), por volta de 1796.

       A temática desta obra refere o encontro entre a Virgem Maria e sua prima Santa Isabel, então grávida de seis meses, esperando o futuro São João Baptista, o qual deu saltos de prazer no ventre materno devido à presença da futura mãe de Jesus (Lucas, I, 39-45).

      Esta pintura era do agrado da comunidade judaica, devido ao facto de se referir a um acontecimento onde os intervenientes eram respeitáveis praticantes da fé judaica. São Lucas diz que o João Batista "crescia, e se robustecia em espírito, e esteve nos desertos até ao dia em que havia de mostrar-se a Israel" (Lc 1:80).

       Santa Isabel, a mãe de São João Baptista, é muito respeitada e referenciada no Islão, apesar do Corão não a mencionar pelo nome próprio, mas os muçulmanos se referirem a ela como "uma pessoa sábia e piedosa" que descendia do profeta e sacerdote Aarão, o qual foi porta-voz de Moisés.

       Todos os anos, na véspera do dia 24(?) de Junho, este quadro era exposto no largo da capela da Misericórdia, em frente de uma grande fogueira onde se queimava rosmaninho. Este enigmático costume, carregada de um simbolismo imemorial que marca o apogeu do Sol (Solstício de Verão), já não se pratica há várias décadas.

       No seio desta família OLIVEIRA e CUNHA, durante vários séculos nasceram sacerdotes bastante instruídos e cultos, cujas escolhas (de santos protectores, ou temas de pinturas), seriam tudo menos inocentes…

       Aqui deixamos esta nota, não com o intuito de polemizar, mas para que se reflicta sobre a grande penetração judaica nesta região, que no século XV e XVII foi muito benéfica para o desenvolvimento económico e social desta localidade.

__________________

Notas:

[1]   Veja-se em Aldeia Nova do Cabo a pedra de armas da capela de São Miguel Arcanjo na Casa do Terreiro, vínculo de Miguel Barreiros de Sá (1605-1657), vigário da terra; assim como a pedra de armas da capela de São Barnabé, vínculo de João Figueira Castelo Branco, que foi vigário do Souto da Casa, entre outras. Ambos eram parentes do padre Miguel.

[2]   Os Morgadios, regra geral, foram instituídos com o fim de perpetuarem o apelido e as armas de uma família ilustre ou o nome dos fundadores, quase sempre sepultados em capelas familiares à sua custa edificadas, com vários encargos piedosos pelas almas dos antepassados. Eram formados de um conjunto patrimonial inalienável, administrado por um usufrutuário – o morgado – que, quase sempre, era o varão primogénito. Um morgado distingue-se de uma capela devido à finalidade das funções definidas à data da sua fundação. Temos um morgado quando a maior parte do rendimento dos bens vinculados é destinado ao herdeiro, sendo a parte destinada a obrigações piedosas de um montante muito mais pequeno. Temos uma capela quando os encargos com as obras piedosas absorvem a maior parte do rendimento dos mesmos bens. 


[3]   Cfr. MONTEIRO, José, Ao Redor do Fundão, p. 285-286, nota de rodapé n.º 36; e VASCONCELOS, Manuel Rosado Marques Camões e — Oliveiras e Cunhas da Casa do Outeiro Termo do Fundão, (Lisboa: 1962), v. I, pp. 45. — Manuel Rosado, por lapso, atribui ao referido sacerdote o nome de Manuel, em vez de Miguel, certamente por confusão com um padre homónimo desta numerosa família. 

[4]   Biblioteca do Seminário do Fundão, Livro das capelas e nomes dos administradores de São Martinho do Fundão; 1557, MS, fls. 25v - 26. – Neste figuram as datas e as obrigações deste vínculo.

[5]   D. LUÍSA, teve um irmão que foi clérigo e tinha o mesmo nome e apelidos de seu pai.

[6]   Ao longo das várias gerações desta família, houve diversos indivíduos com este nome, o que causa alguma confusão neste tipo de investigação.

[7]   Cfr. MONTEIRO, José, op. cit., p. 44-45, nota de rodapé n.º 36; e MONTEIRO, Maria de Lurdes Tavares, A mais honrada aldeia do reino”, Fundão, 2001, p. 67; e GAIO, Felgueiras, Nobiliário, v. III, tít. “Britos”, § 17, p. 78-79. 

[8]   A Capela de São Pedro Novo, situada no Alto de São Pedro, em substituição de uma anterior, acabou por nunca ser concluída.
 
[9]   Cfr. MONTEIRO, José, op. cit , Ibidem. 

[10]   VASCONCELOS, Manuel Rosado Marques Camões e — Oliveiras e Cunhas da Casa do Outeiro Termo do Fundão, (Lisboa: 1962), v. I, pp. 42-45.

[11]   A família Figueira Castelo Branco teve um solar em Aldeia Nova do Cabo, ao qual tem anexa a capela de São Barnabé, com a pedra de armas de um membro desta família. A capela foi sede do morgado instituído pelo João Figueira Castelo Branco, prior na igreja do Souto da Casa.

[12]   Cfr. VASCONCELOS, Manuel Rosado M. Camões, op. cit., p. 41-46.

[13]   À falta de documentos originais, seguimos, com algumas reservas, algumas informações editadas pelo genealogista Manuel Rosado M. C. Vasconcelos (Oliveiras e Cunhas…); GUERRA, Luiz Bívar , A Casa da Graciosa, pp. 245-245.

[14]      GAIO, Felgueiras, Nobiliário, v. VIII, tít. “Pintos”, § 9, p. 293.

[15]   Embora sem apoio documental, ficamos com a convicção que, à semelhança do que terá acontecido no Solar da Praça Velha, todos os terrenos desta casa e do respectivo quarteirão onde a mesma está implantada, seriam de antepassados comuns a todos eles: os OLIVEIRAS, que ligados aos PROENÇAS e aos CUNHAS, terão sido dos maiores terratenentes de Aldeia Nova do Cabo e de várias aldeias do concelho do Fundão, na primeira metade do século XVII.

[16]   GAIO, Felgueiras, Nobiliário, v. III, tít. “Britos”, § 22, n. 7, p. 81.
 
[17]   Por escritura de 11-X-1727, segundo referencia de José Monteiro, já citada.
 
[18]   Francisco Pereira Pinto de Oliveira (f. 1760, é citado por diversos autores com diversos apelidos, todos eles provenientes dos seus antepassados.
 
[19]   Sendo filho segundogénito, só poderá ter herdado este vínculo por falecimento do irmão primogénito, antes da morte do anterior morgado, ou por legislação que impedisse o acesso a este devido às convulsões politicas da época.

[20]   A Honra de Barbosa é encabeçada por uma torre medieval de características militares. Foi fundada no século XII por Mem Moniz de Ribadouro. Reconstruída em 1334, a honra foi repartida por vários herdeiros. Com a subida ao poder da nova dinastia de Avis em 1385, esta propriedade foi doada aos Malafaias e Azevedo, que a transformaram em solar familiar.

[21]   Os morgadios foram definitivamente extintos por decreto de 19-V-1863, com a excepção da Casa de Bragança que durou até à implantação da República em 1910.

2012-10-10

Solar da Praça Velha, Fundão - Tudela Castilho

CASA TUDELA CASTILHO
Solar da Praça Velha
(Séc. XVII – fins?)
Largo da Praça Velha – Fundão

Pedra de Armas picada de
Fernando Tudela Castilho Botelho
(1772-1820)

                 
                Brasão de:   Fernando Tudela Castilho Botelho (1772-1820)
               Forma:         Escudo boleado de bico, partido em pala, com as armas picadas – quando a luz
                                    solar rasa a fachada, ainda é possível a leitura dos vestígios das peças heráldicas
                                    originais: 1.º de CASTILHO – castelo encimado por uma flor-de-lis e ladeado por
                                    dois galgos; 2.º de BOTELHO – quatro bandas.
               Elmo:           De grades voltado a três quartos de perfil (?), olhando à direita do escudo.
               Timbre:        Um galgo, tirado das armas dos Castilhos, sobre o elmo.
               Local:           Largo da Praça Velha, Fundão. Por cima do andar nobre, ao meio da fachada.
               Data:            Século XVIII, segunda metade.



Fundão, Largo da Praça Velha,Solar Tudela Castilho.
       
Situada na Praça Velha, perto do largo da Igreja Matriz do Fundão, temos uma das mais emblemáticas casas solarengas desta cidade que provavelmente foi erigida nos fins do século XVII, tendo anexa a capela particular de Nossa Senhora do Pilar. Esta austera edificação em granito aparelhado, foi durante várias gerações um centro de reunião e de convívio da elite culta do Fundão. 
        Edificada pela família Tudela Castilho que teve grandes casas solarengas na Cunha Alta e em Castelo Branco, cidade esta de onde saiu um dos seus ramos para se fixar no Fundão; ao que parece por casamento de um destes com uma neta paterna de Simão Botelho Maldonado (c. 1685) que[1], que segundo conseguimos apurar era administrador da capela instituída «nas suas casas da Praça» no Fundão, a qual tinha a obrigação de 40 missas, e terá sido integrada neste solar[2].
       A leitura da respectiva pedra de armas, apesar de picada, ainda é possível quando a luz solar rasa a fachada e deixa algumas sombras que nos permitem decifrar com alguma segurança o que resta das respectivas peças heráldicas.

BRASÃO

       Vejamos como seria originalmente esta pedra de armas, actualmente muito mutilada, representada com correcção. O escudo é boleado de bico e partido em pala de: o 1.º de CASTILHO (em campo verde com um castelo de prata com portas e frestas de negro, encimado por uma flor-de-lis de ouro e ladeada por dois galgos de prata com coleira vermelha, levantados presos por cadeias de ouro às ameias do castelo); o 2.º de BOTELHO (em campo de ouro com quatro bandas de vermelho). Elmo de grades assente sobre o bordo do escudo. Timbre assente sobre o elmo: um galgo, tirado das armas dos Castilhos.



Pedra de armas de
Fernando Tudela Castilho Botelho
(1772-1820)
(reconstituição)


BOTELHO
CASTILHO

       Esta pedra de armas em cantaria de granito claro foi mandada picar por Fernando Tudela Castilho Botelho (1774-1820), quando este teve que se desfazer do solar em 1818 para pagar dívidas que contraiu. Devido a estar bem cravada na fachada, a sua retirada não era exequível.


DADOS GENEALÓGICOS
Vejamos agora os dados genealógicos da família de Tudela Castilho, senhora do Solar da Praça Velha, com o seu brasão partido com as armas dos Castilho e dos Botelho.  
1.       MANUEL DE CASTILHO VELOSO (c. 1622)[3], natural de Castelo Branco onde era senhor da Casa dos Castilhos, à Rua Nova que sai da antiga Praça Velha (actual Praça Luís Camões). Pelo seu casamento foi Juiz de Alfândega de Castelo Branco. Era filho de Fernão Gomes Castilho, que instituiu um vínculo com terras na zona da Líria e na Quinta da MIlhã em Castelo Branco[4], casado com D. Isabel Cardoso; neto materno de Paulo Rodrigues Cardoso, capitão-mor de Castelo Branco[5], e de sua mulher D. Isabel Pires Frazão[6]. Foi distribuidor e contador da então vila de Castelo Branco por Carta de 14-II-1622[7].
         Casou com D. MARIA TUDELA DE VASCONCELOS (f. 1668), falecida a 9-I-1668 em São Miguel, Castelo Branco, proprietária do ofício de juiz da Alfândega de Castelo Branco, filha do fidalgo castelhano Fernão Tudela Cabeça, e de sua mulher D. Isabel Oliveira. 
          Tiveram:
          2.    FERNÃO TUDELA DE CASTILHO (1628-1692)[8], que segue.

2.     FERNÃO TUDELA DE CASTILHO (1628-1692), nasceu a 26-VI-1628 na freguesia de Santa Maria do Castelo, em Castelo Branco, onde veio a falecer a 20-I-1692. Foi fidalgo da Casa Real, cavaleiro da Ordem de Cristo com tença de 40$000 réis pelos serviços prestados por seu pai em Castelo Branco, e ainda pelos seus na praça de Arronches e Elvas contra os castelhanos, por carta de 22-I-1685[9]. Formou-se em Cânones em 24-X-1646 e em Leis a 10-V-1652, tendo sido magistrado em várias comarcas. Juiz de fora da vila de Arronches, e de Seia durante três anos e por Carta de 9-IV-1661[10], obtendo uma pensão de 40$000 réis por Alvará de 25-X-1662[11]. Herdou o cargo de Contador e Distribuidor do Juízo Ordinário da vila de Castelo Branco por falecimento de seu pai Manuel de Castilho e Alvará datado de 20-XII-1661[12], ao qual renunciou logo no ano seguinte a 14-XI-1662[13]. Ocupou o cargo de proprietário dos ofícios de Juiz e Recebedor da Alfândega de Castelo Branco por Carta de 05-III-1664[14], assim como foi Corregedor da Comarca de Miranda por Carta de 19-04-1667[15], juiz desembargador da Relação do Porto a 3-XI-1678, assim como juiz desembargados do Cível a 16-III-1686 e do Crime da Relação do Porto por Carta de 7-I-1689[16]Foi procurador por Castelo Branco às Cortes de 1674.  
         Apesar de nascido em Castelo Branco, a sua ligação ao Fundão é evidente. Nesta última cidade terá herdado algum património, talvez da sua avó materna D. Isabel Oliveira cuja ascendência não conseguimos apurar mas provavelmente descende dos Oliveiras que foram ricos terratenentes de Aldeia Nova do Cabo, Alcongosta e  Fundão, os quais por mais de uma vez se ligaram a esta família; antepassados também do padre Miguel de Oliveira e Cunha (c. 1689) com solar e brasão na Rua da Misericórdia (Largo da Igreja Matriz)[17], num terreno contíguo ao solar em apreço. Depreende-se que todo este quarteirão de diversas casas e solares, esteve, em tempos mais recuados na posse de um antepassado comum a estes dois solares, que presumimos ter sido da família OLIVEIRA.
       Terá sido ele a edificar, ou a remodelar, o Solar da Praça Velha no local onde existiram casas por si herdadas, as quais foram do seu avoengo Simão Botelho Maldonado (c. 1685).
     Foi um dos principais beneméritos da Misericórdia do Fundão, custeando as avultadas obras de conservação e remodelação da capela desta irmandade e oferecendo-lhe valiosas alfaias religiosas por volta de 1683[18]. Por este facto foi-lhe concedido para todo o sempre o privilégio de, juntamente com a sua família e criados, poder assistir à missa da tribuna situada do lado do Evangelho da referida capela – à qual tinham acesso directo através do logradouro situado nas traseiras do seu solar.
Casou duas veze. 
       As primeiras núpcias foram com D. MARIA SOARES FIGUEIROA, natural de Arronches, concelho de Portalegre, filha de Manuel Rodrigues Soria e de D. Maria Suárez de Figueiroa; neta paterna de João Pessai e de D. Catarina Rodrigues Sorianeta materna de Diogo Soares de Figueiroa (f. 1721), o qual no final da sua vida foi viver em Castelo Branco onde faleceu a 3-XI-1721 e foi sepultado no claustro do Convento de Santo António[19], e de sua mulher D. Isabel Barriga.
          Casou em segundas núpcias com D. MARIA DE SEQUEIRA[20].
          Teve do 1.º casamento[21]:
          3.      MANUEL DE CASTILHO DA COSTA (c. 1660).
          3.      DIOGO SOARES DE FIGUEIROA (c. 1665), que segue abaixo.
3.      PAULO DE CASTILHO.
3.      D. MARIA JOSEFA DA COSTA FIGUEIROA. Casou com GASPAR DE ALMEIDA ANDRADE, o qual
        teve, entre outros cargos, o de desembargador do Paço, familiar do Santo Ofício[22], cavaleiro da
        Ordem de Cristo  (18-VIII-1667)[23]fidalgo da Casa Real, e ainda Juiz de Fora da vila de Setúbal
        (17-VIII-1662)[24]. Era filho de João de Almeida Andrade e de D. Sebastiana Ribeiro.
Teve do 2.º casamento:
          3.      D. ISABEL MARIA DE OLIVEIRA VASCONCELOS. Casou com SIMÃO BOTELHO MALDONADO, fi-
                  lho de Heitor Pinto Cardoso e de D. Maria Marques Giraldes. Tiveram geração que vai mais abaixo.
          3.      D. ISABEL DE CASTILHO.

3.        DIOGO SOARES DE FIGUEIROA (1665-1721), foi baptizado a 24-VIII-1665 em Seia, e seguiu os apelidos de sua mãe, tendo falecido a 3-XI-1721 na freguesia de Santa Maria em Castelo Branco.
Foi moço fidalgo da Casa Real por Alvará de 31-VIII-1694[25], sucessor na Casa de seus pais, proprietário do ofício de Juiz da Alfândega de Castelo Branco, formado em Cânones na Universidade de Coimbra a 1-X-1684.
Casou duas vezes.
        As primeiras núpcias foram celebradas a 20-II-1689 na Igreja Matriz de Santa Cecília na Abrunhosa-a-Velha, no concelho de Mangualde, com D. JOANA LUÍSA DE ALVELOS DO AMARAL (c. 1689), natural da Cunha Alta, Mangualde, senhora do morgado de Abrunhosa[26]; filha de Bernardo de Alvelos de Barros, natural de São Pedro do Sul, e de sua mulher D. Bernarda do Amaral Cabral, natural da Cunha Alta; neta materna de D. Joana do Amaral Cabral, nascida na Cunha Alta, e de Baltazar Cardoso do Amaral, senhor do morgado da Cunha Alta, todos eles pessoas nobres da citada freguesia.
          As segundas núpcias foram com D. MARIA RODRIGUES.
Filhos do 1.º casamento:
4.     FERNÃO TUDELA DE CASTILHO E COSTA (1690-1740), que segue.
4.     FRANCISCO XAVIER DA COSTA.
Filho do 2.º casamento:
4.     PAULO DE CASTILHO DA COSTA (n. 1716), nascido a 22-IV-1716. Casou com D. FRANCISCA RO-
       DRIGUES.

4.       FERNÃO TUDELA CASTILHO E COSTA (1690-1740), nasceu na Abrunhosa-a-Velha, Mangualde, onde foi baptizado a 17-II-1690 na Igreja de Santa Cecília, apadrinhado por seu tio Simão Botelho Maldonado, distinto fidalgo fundanense daquela época. Faleceu a 30-VIII-1740.
Sucedeu na Casa de seus pais e foi fidalgo escudeiro da Casa Real por Alvará de 17-VI-1702[27]. Como tenente de Infantaria serviu na guerra contra Espanha. Foi senhor do morgado da Abrunhosa que herdou de sua mãe, o qual lhe foi tirado por Simão Pais do Amaral, de Mangualde, após contestação judicial em que demonstrou maior direito a ele. Foi proprietário do ofício de Juiz da Alfândega de Castelo Branco, escrivão da Misericórdia daquela vila (1731-1732) e seu provedor (1732-1733), assim como superintendente das coudelarias desta comarca, onde tinha uma grande casa.
Casou em Albuquerque, Espanha, com D. FRANCISCA MARQUEZ DO PRADO (f. 1771), natural daquela vila, falecida já viúva a 27-XI-1771 em Castelo Branco; filha de D. Diego Marquez do Prado, fidalgo castelhano que no tempo de D. Pedro II passou a Portugal onde foi sargento-mor de Cavalaria, e de sua mulher D. Francisca de Escobar e Cortez, ambos naturais de Villa Nova de la Serena, em Espanha.
          Tiveram:
5.     DIOGO MANUEL TUDELA DE CASTILHO, que nasceu na vila de Albuquerque, em Espanha, e fale-
       ceu solteiro. Foi fidalgo da Casa Real por Alvará de 17-III-1716[28], capitão de Cavalos em Campo
       Maior, governador de Juromenha, proprietário do ofício de Juiz da Alfândega de Castelo Branco.
          5.     FERNANDO TUDELA DE CASTILHO (f. 1778), sacerdote, falecido a 7-XI-1778 em Castelo Branco.
5.     FRANCISCO TUDELA DE CASTILHO E COSTA (1713-1769), baptizado a 30-IX-1713 na igreja de São
       Mateus, na então vila portuguesa de Albuquerque, e falecido a 19-I-1769 em Castelo Branco, onde
       recebeu sepultura no convento de Santo António.
       Clérigo, foi capelão fidalgo da Casa Real, familiar e comissário do Santo Ofício por Carta de 25-IV-
       -1755.
5.    NICOLAU TUDELA DE CASTILHO (1719-1806), que segue abaixo.
5.    D. JOANA LUÍSA DE ALVELOS DO AMARAL (f. 1753), homónima da sua avó paterna, nasceu em
      Albuquerque e faleceu a 13-XII-1753 em Castelo Branco, cidade onde casou na Igreja de São Miguel
      com Bernardino Manuel da Mota Ribeiro, natural de Lisboa, cavaleiro da Ordem de Cristo
      em 1752. Tiveram seis filhos.
5.     D. RITA JOSEFA TUDELA DE CASTILHO E PRADO DA COSTA (n. 1723), que nasceu a 1-XII-1723 na
       freguesia de São Miguel em Castelo Branco, onde foi baptizada a 19-XII, tendo por padrinhos o sar-
       gento-mor Simão Caldeira de Sá e D. Joana Raimundo de Castilho e Costa. Casou na mesma fre-
       guesia a 9-II-1745 com FÉLIX TOMÉ DE FREITAS MORATO (n. 1710), baptizado a 4-XII-1710 no lugar
       de Lares, freguesia de Alhadas, Figueira da Foz, o qual foi cavaleiro da Ordem de  Cristo e familiar
       do Santo Ofício
       Residiram em Coimbra, próximo do Arco de Almedina, no pátio que durante muito tempo foi desi-
       gnado por "pátio dos Castilhos" e depois por "pátios dos Garridos", por estes aí terem vivido.

       Tiveram quatro filhos, cuja descendência usou o apelido GARRIDO
5.     D. BERNARDA TUDELA DE CASTILHO (1727-1755), que nasceu a 29-IV-1727 na  freguesia de São
       Miguel de Castelo Branco, onde viria a falecer solteira a 11-VI-1755.
5.    JOSÉ BERNARDO TUDELA DE CASTILHO (1729-1806), nasceu a 8-III-1729 em Castelo Branco, cida-
       de onde faleceu a 21-IX-1806, solteiro, sem geração, e foi a sepultar na Igreja de Santo António.
       Herdou de seu pai o ofício de Juiz da Alfândega de Castelo Branco, por falecimento de seu irmão
       primogénito Diogo que morreu solteiro, e devido ao facto de dois dos seus irmãos mais velhos 
       Fernando e Francisco – serem clérigos e já terem falecido, e o seu irmão Nicolau, que foi casado
       no Fundão e tinha o direito a este ofício, dele ter prescindido.
       Em 1794, segundo o rol dos confessados desse ano, morava na Casa dos Castilhos, no n.º 348 da
       Rua Nova, com sua irmã D. Caetana, duas sobrinhas, mais um criado e quatro criadas.
5.     D. CAETANA ROSA TUDELA DE CASTILHO (1731-1805), nasceu a 21-III-1731 em Castelo Branco
       Branco onde morou na Casa dos Castilhos à Rua Nova, e aí faleceu solteira a 3-X-1805.
5.     D. LUÍSA FRANCISCA MADALENA TUDELA DE CASTILHO (n. 1733), nasceu a 27-VII-1733 em Cas-
       telo Branco. Casou na mesma cidade com JOÃO JOSÉ VAZ NUNES PRETO, capitão-mor de Idanha-
       -a-Nova (1767-1787), administrador dos morgados de Lousa e de Alcains.
        Tiveram quatro filhos, cuja descendência usou os apelidos de GERALDES (da Casa da Graciosa),
        CALDEIRA DE BOURBON (de Alpedrinha), e ainda de TAVARES PROENÇA e dos VAZ PRETO DE
        ABRUNHOSA (de Castelo Branco).
        Tiveram, entre outros:
        6.     D. FRANCISCA EUGÉNIA DO PILAR TUDELA DE CASTILHO, natural da Lousa, que foi casada
    com o biografado FERNANDO TUDELA DE CASTILHO BOTELHO (1774-1820)senhor do Solar
    da Praça Velha no Fundão.
5.      D. MARIA TUDELA DE CASTILHO (c. 1742), nasceu em Castelo Branco e aí casou a 20-VIII-1742 nas segundas núpcias de MANUEL SOARES GALHARDO TEMUDO (1720), proprietário do ofício de Escrivão dos Órfãos de Niza a 28-VIII-1720[29]. Tiveram um filho.     

5.       NICOLAU TUDELA DE CASTILHO (1719-1806), nascido em 1719 na Cunha Alta, Mangualde, falecido no ano de 1806 e sepultado defronte da porta principal da igreja matriz do Fundão.
      Foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real por Alvará de 22-II-1746[30], bacharel em Leis e Cânones pela Universidade de Coimbra a 22-VII-1743, escrivão da Misericórdia de Castelo Branco de 1758-1759 e 1762-1764, assim como auditor de Regimento de Sua Majestade em Campo Maior[31], Juiz de Fora da vila de Penela e do Porto[32]. A 23-VII-1781 obtém 160$000 réis de ordenado como aposentado[33].
Muito ligado ao Fundão aqui foi sepultado, sendo provavelmente ele que, com remodelações que fez, deu a configuração actualmente conhecida ao solar da Praça Velha.
Casou no Fundão com sua prima D. JOANA ELVIRA DE OLIVEIRA E COSTA MALDONADO, natural da Lardosa. Sua mulher era filha perfilhada de João Pinto Cardoso Maldonado (c. 1724), natural do Fundão, Juiz de Fora de Castelo Novo e Alpedrinha (por Carta de 6-IV-1734), e de Castelo Branco (por Carta de 12-V-1742)[34], e de sua mãe D. Isabel Josefa; neta paterna de Simão Botelho Maldonado (c. 1685)[35], homónimo do seu avô, administrador da capela instituída "nas suas casas da Praça" no Fundão por seu pai com obrigação de 40 missas[36], o qual obteve uma tença de 38$000 réis por Carta Padrão de 8-I-1685, e outra de 12$000 réis e o Hábito de Cristo por Carta de Padrão de 2-X-1685[37], e de sua mulher D. Isabel Maria de Oliveira Vasconcelos.
Este casamento uniu duas destacadas famílias do Fundão – Castilho e Botelho –, união que veio dar origem ao brasão do solar da Praça Velha usado por seu único filho. 
O avô paterno de sua mulher, SIMÃO BOTELHO MALDONADO (c. 1685), era filho de Heitor Pinto Cardoso (c. 1678), residente no Fundão, casado com D. Maria Marques Giraldes, a qual por sua vez era filha de Diogo Álvares Giraldes Rico, herdeiro de avultado património em Idanha-a-Nova, casado a 3-II-1625 com D. Elvira Marques (filha de Mateus Gonçalves Leitão e de sua mulher D. Inês Nunes); neto paterno de outro Simão Botelho Maldonado (c. 1634), o primeiro destes apelidos a ligar-se ao Fundão por casamento com D. Brites de Oliveira, filha de Heitor Pinto e de sua mulher D. Francisca Barreiros, ambos naturais do concelho do Fundão; bisneto materno de João Fernandes de Oliveira e de sua mulher D. Beatriz de Oliveira.
Tiveram:
6.    FERNANDO TUDELA DE CASTILHO BOTELHO (1774-1820), que segue.

6.     FERNANDO TUDELA DE CASTILHO BOTELHO (1774-1820), nasceu a 2-I-1774 no Fundão, tendo falecido a 1-IX-1820 na freguesia das Donas, no concelho do Fundão. Nos documentos oficiais não assina com o apelido BOTELHO, mas este figura no Alvará que lhe atribui o foro de Fidalgo Cavaleiro da Casa Real em 20-XI-1788[38].
Casou com sua prima direita D. FRANCISCA EUGÉNIA DO PILAR TUDELA DE CASTILHO, natural da Lousa, filha de João José Vaz Nunes Preto, capitão-mor das Ordenanças de Idanha-a-Nova (1767-1787) e administrados dos morgados da Lousa e de Alcains, casado com D. Luísa Francisca Madalena Tudela de Castilho (n. 1733)neta paterna de Manuel Fernandes Preto, juiz de fora de Marvão e de Castelo Branco, corregedor da Guarda e Cavaleiro da Ordem de Cristo, casado na Lousa com D. Catarina Madalena Vaz Nunes (filha única e herdeira de Domingos Vaz Freire, Morgado de Alcains, e de sua mulher D. Maria Vaz Nunes, senhora do Morgado dos Vaz, de Lousa).
Foi um dos principais herdeiros da Casa dos Castilhos, na Rua Nova em Castelo Branco, que vendeu em 1815, três anos antes de se desfazer do seu Solar da Praça Velha na cidade do Fundão em 1818, por virtude da má administração da sua fortuna que o obrigou a alienar todos os seus bens.
Faleceu a 1-IX-1820 na freguesia das Donas no concelho do Fundão, e vai biografado adiante com mais detalhe. 
Foi ele o legítimo possuidor do brasão que armoria a fachada do solar da Praça Velha no Fundão, com o escudo partido com as armas de CASTILHO e BOTELHO, vindas respectivamente por seu pai e mãe.


               O DETENTOR DO BRASÃO
               FERNANDO TUDELA DE CASTILHO BOTELHO (1774-1820)

Fernando Tudela Castilho Botelho
(1774-1820).
Autor: pintor José da Cunha Taborda.
       Desconhece-se a respectiva justificação de nobreza, a carta de brasão de armas e o respectivo registo, pelo que podemos estar perante mais um caso de armas assumidas, processo este bastante comum, especialmente no que diz respeito a descendentes da nobreza tradicional com altos cargos na governação civil ou militar, na hierarquia das ordens religiosas ou na magistratura judicial, como era o caso desta família. A estes era tolerada a composição de armas próprias, à revelia dos procedimentos legais em vigor.

     Os Castilhos e os Botelhos, que figuram na partição desta pedra de armas, serviram os reis de Portugal como alcaides-mores em várias praças junto à fronteira desde a Idade Média e eram armigerados desde o século XVI. Poderá ser este o caso brasão em apreço, caso não tenha existido a respectivo processo de justificação de nobreza e a consequente Carta de Brasão de Armas.

    É possível atribuir este brasão a FERNANDO TUDELA DE CASTILHO BOTELHO (1774-1820), nascido no Fundão a 4-I-1774, e falecido 1-IX-1820 na freguesia das Donas, Fundão. Era filho de Nicolau Tudela Castilho (1719-1806), nascido na Cunha Alta, fidalgo cavaleiro da Casa Real, bacharel em Leis e Cânone pela Universidade de Coimbra, magistrado em Campo Maior, em Penela e no Porto, e escrivão da Misericórdia de Castelo Branco, casado com sua prima D. Joana Elvira de Oliveira Maldonado, natural da Lardosa; neto materno do Dr. João Pinto Cardoso Maldonado (c. 1724), que foi juiz de fora em Alpedrinha e em Castelo Branco, e teve este filho natural de D. Isabel Josefa.
Foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real por Alvará de 20-XI-1788[39], coronel do Exército durante as Invasões Francesas nas quais, ao comando da brigada de Ordenanças da Idanha-a-Nova, se bateu galhardamente contra o Exército Francês nos combates de Alhandra de 14 a 16-X-1810.  
Provedor da Misericórdia do Fundão (1797), senhor da Casa de seus pais com seu solar na Praça Velha, ocupou o cargo de provedor da Misericórdia do Fundão (1797).
Poeta e prosador, deixou obra inédita que segundo a tradição acabou por se perder, apenas restando uma carta de despedida e um soneto de sua autoria, que demonstram a sua sensibilidade e o seu nobre e honrado carácter[40].
Casou com sua prima direita D. FRANCISCA EUGÉNIA TUDELA CASTILHO (n. 1733), da qual não teve geração. Este casamento terminou num divórcio que foi estabelecido por uma singular escritura «de contrato e transacção» feita a 4-X-1817 no Solar da Praça Velha pelo tabelião José Januário de Morais[41], e tendo por testemunhas o seu amigo e protegido Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque (1792-1846) e sua mulher D. Ana Mascarenhas de Ataíde (1795-1887)[42]:
«logo pelos ditos Ilustríssimo Fernando Tudela de Castilho e dita sua mulher Excelentíssima Dona Francisca Eugénia Tudela de Castilho foi dito que eles tinham contratado entre si a divorciarem-se perpetuamente pelo que se devia por em prática tudo o que é relativo a tal caso no Juízo competente, e com autoridade de Sua Excelência Reverendíssima o Excelentíssimo Prelado deste Bispado, e além disso se acham contratados para pagamento de Arras de quinhentos mil réis prometidas por antiga escritura à dita Excelentíssima Dona Francisca Eugénia Tudela de Castilho e que por isso esta mostrava desejos desse pagamento de alimentos»[43].
         Assolado por graves problemas financeiros, aos quais não terá sido alheia a conjuntura que o país então atravessava e os encargos (arras) deste divórcio inoportuno cujas causas directas ficaram para sempre desconhecidas, desbaratou todo o seu património num curto espaço de tempo.
           A sua Casa dos Castilhos em Castelo Branco já tinha sido vendida a 14-XII-1815 [44], três anos antes de se desfazer do seu Solar da Praça Velha na cidade do Fundão que foi alienado a 9-XII-1818, não antes de ter vendido através de procuração vários olivais, vinhas e quintas.
     Segundo apurou o Dr. José Castilho que investigou as escrituras dos Cartórios Notariais existentes no Arquivo Distrital de Castelo Branco, houve uma vertiginosa sucessão de vendas, das quais destacamos várias terras em Castelo Branco, pertencentes a um vínculo, como eram o caso de terras na zona da Líria (29-VII-1817)[45], e da  Quinta da Milhã que ficava atrás da Sé de Castelo Branco (1-X-1817)[46], parte das quais foram compradas por familiares com reserva de usufruto para duas das suas primas que eram D. Maria Tudela de Castilho e D. Gualdina Tudela de Castilho. Seguiu-se a venda de uma terra na próxima freguesia de Cafede (27-II-1818).
Luís da Silva Mouzinho
de Albuquerque (1792-1846)
       O clausulado do já citado «contrato e transacção» que regulava este peculiar divórcio previa que as quintas da Nave e de São Domingos revertiam para o marido, caso este sobrevivesse à morte de D. Francisca (o que não sucedeu), caso contrário passariam para o o ilustre Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque (1792-1846), seu amigo e protegido, o qual foi testemunha desta escritura na qual estas terras lhe eram doadas.
       Nele também estava regulada a cedência à sua ex-mulher do usufruto da Quinta da Nave (em Aldeia de Joanes?) reservando para si o direito de tirar dela anualmente para seu uso “30 carros de lenha”, e da Quinta de São Domingues, ambas no valor de 400.000 réis; assim como a hipoteca da Quinta da Senhora da Luz e do serrado de São Gregório como garantia do pagamento da pensão de alimentos de 100.000 rés anuais. E ainda a cedência à mesma Senhora da propriedade da Quinta da Nora (onde está implantada parte da actual Rua Conde de Idanha-a-Nova), e do Quintal do Calvário; como início do pagamento do dote que esta trouxe para o casal.

A sua mulher terá levado para o casamento um avultado dote cujo contrato de arras de 500.000 rés, mencionado no contrato e transacção”, previa penosas compensação em caso de separação, como viria a acontecer.
Como observou – e bem – o Dr. José de Castilho, à data da celebração desta escritura de divórcio (1817), três anos antes do falecimento do malogrado Fernando Tudela de Castilho, este “ainda admitia poder sobreviver à mulher e reaver o seu património, o que indicia que o divórcio não foi mero expediente para acautelar os direitos da mulher num contexto de insolvência”.
Tudo o que se depreende da documentação apurada, e ao arrepio do que a tradição oral nos legou, o maior problema deste homem foram os encargos e dividas contraídas por via de um divórcio com condições leoninas que lhe foram impostas (?), e cuja motivação este levou para a tumba.
Sua mulher tinha laços familiares com os Geraldes (da Casa da Graciosa), os Caldeira de Bourbon (de Alpedrinha), os Tavares de Proença e os Vaz Preto de Abrunhosa (de Castelo Branco). Os bens que ficaram para ela, terão supostamente revertido, aquando da sua morte, para algum destes ramos familiares.
Depois de conhecidos estes factos já começa a fazer algum sentido uma das frases que deixou na sua Carta de Despedida para explicar a sua ruína que, segundo ele: «Tal foi o resultado de uma perseguição violenta, que se agitava por molas desconhecidas, e tanto mais perigosas quanto se encobria com aparências respeitáveis e sagradas, contra as quais não era lícito lutar.»
Dele nos ficou um retrato-miniatura da autoria do pintor fundanense José da Cunha Taborda (1766-1836), dado à estampa pelo coleccionador e investigador Júlio Brandão, que o reproduziu a cores, tanto na capa como no interior do seu livro «Miniaturistas Portugueses», acompanhada da legenda “Fernando Tudela Castilho ?”[47].
O brasão pode-lhe ser atribuído, sem margem para dúvidas, devido ao facto de ter representado na sua partição os apelidos das famílias Castilho e Botelho. Quanto a este último apelido – Botelho – de ascendentes por via materna, foi ele o único a usá-lo nas últimas gerações desta família.
Homem sensível e generoso com seus amigos, segundo a tradição que chegou aos nossos dias, acabou por dissipar a sua fortuna ao ponto de ter criado grandes dividas que o obrigaram a vender todos os seus bens, incluindo o Solar da Praça Velha, o que fez por escritura de 9-XII-1818 lavrada no cartório deJosé Joaquim Simões, tabelião de notas do Fundão, dois anos antes de falecer na maior miséria, mas salvando a honra como homem de bem que sempre foi. Passou, deste modo, a grande casa dos Tudela Castilho às mãos do médico e sargento-mor do Fundão Dr. Joaquim Geraldes da Cunha Taborda Leitão Preto, a cujos descendentes hoje pertence.
Pobre e doente, sem filhos, depois de se desfazer de todo o seu património, abandonado por todos os que outrora o amavam e adulavam, acolheu-se na freguesia das Donas em casa do frade D. José Meireles que por caridade o recebeu e na hora da sua morte prematura lhe deu sepultura condigna por baixo do púlpito da igreja desta aldeia.

Que este Homem honrado e íntegro seja lembrado por todos nós, e o seu Solar da Praça Velha, com as sua seculares memórias, não venha a padecer do mesmo destino – o abandono e o esquecimento!...


CARTA DE DESPEDIDA DE FERNANDO TUDELA
            «Circunstâncias imperiosas têm determinado para sempre a minha retirada: elas mesmas são uma barreira de bronze que se opõem ao meu regresso, e que tornam a minha volta de uma impossibilidade absoluta.
Vivi aqui 45 anos, exceptuando aqueles que se consumiram na estupidez da infância. Consagrei todo o resto ao serviço e obséquio dos meus patrícios; e as minhas relações assaz extensas, as minhas protecções, e os meus bens até, foi tudo propriedade deles. Fiz tudo e por todos, sem ambição nem interesse; e segui nisto a doutrina de um pai virtuoso que me ensinou como melhor o fazer amigos do que juntar tesoiros. Enganava-se o bom velho; eu enganei-me com ele; falava dos tempos em que a gratidão se tinha por virtude, e não se persuadia que o seu sistema seria inaplicável à presente Era.
Não experimentei pois aquela correspondência de sentimentos que o meu coração merecia. Entre os que reputava meus melhores amigos, encontrei os que gratuitamente me tornaram opróbrio por afecto. Não pude ser superior a isto, e meditei no mesmo momento um projecto de retirada. Satisfiz os meus créditos para me pôr em estado de partir com honra. Sacrifiquei tudo a este plano; alienei os fundos necessários para o pagamento destes créditos; até a casa de meus Avós e o Solar da minha Família passou a mãos estranhas. Tal foi o resultado de uma perseguição violenta, que se agitava por molas desconhecidas, e tanto mais perigosas quanto se encobria com aparências respeitáveis e sagradas, contra as quais não era lícito lutar.
Retiro-me, pois, para nunca mais voltar aqui. Agradeço a todos os que me tiveram amizade e perdoo de bom grado aos mesmos que me ofenderam.
Fundão 19 de Dezembro de 1818 – Fernando Tudela Castilho»

SONETO A UM CIPRESTE QUE PLANTOU NAS DONAS

                         Vegeta, cresce aqui, tenro cipreste
                              Plantado pela mão da dor veemente.
                              Permita o Céu que nunca o raio ardente
                              Te fira o tronco, ou tuas folhas creste!

                              Da triste cor, com que teus ramos veste
                              A natureza em tudo providente,
                              Cobrirei a minha alma descontente,
                              Enquanto por mal vida me reste.

                              Aqui virei chorar de noite e dia.
                              Testemunha serás de uma saudade,
                              Que fez murchar em flor minha alegria.

                              E em me levando a morte por piedade,
                              Faz então recordar minha agonia,
                              Transmite minha dor à post’ridade!


Anexos:

        ÁLVARO CARDOSO (c. 1490)

                       Castelo Branco
      (um dos patriarcas desta família)

Castelo Branco,  
Rua do Arco do Bispo, n.º 14.
Pedra de Armas dos CARDOSO.
       Quanto a ÁLVARO CARDOSO (c. 1490), desconhece-se o nome da sua mulher, mas sabemos ter tido um filho homónimo chamado ÁLVARO CARDOSO[51], o qual veio a casar com D. MARIA MENDES, filha de João Mendes e de D. Inês Rodrigues, da qual teve geração. 
       Faleceu em Castelo Branco e foi sepultado junto à soleira da entrada principal da igreja de Santa Maria do Castelo, sob uma laje actualmente muito gasta, na qual se observa ainda um escudo de armas da família Cardoso (um cardo sustido por dois leões afrontados), igual ao do solar na Rua do Arco do Bispo, n.º 14, onde os seus descendentes residiram[52].
       O seu bisneto PAULO RODRIGUES CARDOSO foi capitão-mor de Castelo Branco e veio a casar com D. ISABEL PIRES FRAZÃO, filha do licenciado Pedro Gil Frazão e de D. Maria Gomes, da qual sabemos ter tido, entre outros, uma filha que foi D. ISABEL CARDOSO, casada com FERNÃO GOMES CASTILHO
       Foi este último casal que esteve na origem dos TUDELA CASTILHO, aqui abordamos. 



Castelo Branco, Casa dos Cardosos.



              A CASA DOS CASTILHOS

                     Castelo Branco    

Castelo Branco, Rua Nova.
       O saudoso genealogista Coronel Armando de Sacadura Falcão (f. 2007), num dos seus inúmeros trabalhos mencionava a existência da Casa dos Castilhos em Castelo Branco sem a localizar. Apesar de estarmos em presença de um família proeminente nesta cidade, era totalmente desconhecida a existência da sua morada na malha urbana do antigo burgo, onde então presumíamos que ela se situava.
    Uma busca de mais de uma década culminou na resolução deste intrincado enigma, graças à persistência de um notável investigador local que, descendendo de Álvaro Cardoso (n. 1490), andava em busca dos seus antepassados e acabou por se interessar por esta pesquisa, à qual deu solução cabal: falamos do Dr. José Martins Barata Castilho, a quem estamos muito gratos por nos ter disponibilizado o resultado das suas investigações, as quais contribuíram para resolver este mistério[53]. A sua paixão pelo torrão natal e pela sua família, levou-o a pesquisar os seus antepassados mais longínquos, tendo adquirido e restaurado o secular solar dos Cardosos da Rua do Arco do Bispo, n.º 14, assim como publicou a história desta família sob o título "Cardosos e Castilhos albicastrenses - à volta dos palácios" (Castelo Branco, 2012).

Castelo Branco, Rua Nova.

Castelo Branco, Rua Nova.










 

Pedra de armas da família CASTILHO
da Casa dos Castilhos em Castelo Branco.
Posteriormente esteve num pórtico lateral
do Solar da Praça Velha, no Fundão.
(Reserva do Museu Arqueológico
             José Monteiro, Fundão.)
       A Casa dos Castilhos ficava situada bem no centro da malha urbana da parte mais antiga do burgo, do lado norte da íngreme Rua Nova situada no centro da cidade medieval.
       Ao que parece, observando o que resta do local onde estava implantada e consultando diversas escrituras notariais[54], era constituída por diversos altos e baixos com seus anexos e um logradouro que ocupava um apreciável espaço com perto de 25 metros de fachada: tudo isto no quarteirão entre a Rua Nova, a Rua do Arco do Bispo, e a Rua dos Peleteiros.
       Uma das casas deste conjunto estava armoriada com escudo de armas dos CASTILHO, o qual, quando esta a casa foi vendida por Fernando Tudela Castilho viria a ser transferido para o solar da do Fundão e aí colocada a encimar um portal lateral que dá acesso ao logradouro desta sua morada. Daí foi retirado e está actualmente depositado na reserva do Museu do Fundão.
O Solar dos Castilhos em Castelo branco foi alienado em 1815 por FERNANDO TUDELA DE CASTILHO BOTELHO (1774-1820), seu derradeiro possuidor nesta família, e então morador no seu solar da Praça Velha no Fundão. Este grande fidalgo fundanense, apesar de possuir um razoável conjunto de bens patrimoniais, enfrentava, por esta altura, algumas dificuldades financeiras.

Sabemos que a Casa dos Castilhos de Castelo Branco esteve na posse da Companhia de Jesus de 1879 a 1910. Com a implantação da Republica em 1910, os Jesuítas são expulsos e os seus bens espoliados, pelo que passa à posse do Estado por força da Lei de 20-IV-1911, Art.º 62 (Lei da Separação do Estado e da Igreja). É então nela instalada a Escola Primária do Castelo (1956-1960), a qual, certamente já muito arruinada, viria a ser demolida por volta de 1960 para dar lugar à nova Escola Primária de Castelo Branco edificada no meio do antigo logradouro da casa e um pouco recuada em relação à Rua Nova.

Obs:
Agradecemos ao Dr. José Martins Barata Castilho o apoio prestado na localização da desaparecida Casa dos Castilhos em Castelo Branco, assim como a busca por si efectuada das várias escrituras nos livros dos cartórios notariais existentes no Arquivo Distrital de Castelo Branco. Foi uma ajuda preciosa para a compreensão das causas da derrocada desta família.
Agradecemos ainda a outros investigadores que se disponham a fazer alguma correcção, ou aclarar eventuais imprecisões desta pesquisa.
A todos eles, o nosso agradecimento.

_____________

Notas:

[1]      A neta paterna era D. Joana Elvira de Oliveira e Costa Maldonado, natural da Lardosa, filha
perfilhada de João Pinto Cardoso Maldonado (c. 1724), a qual foi casada com Nicolau Tudela de Castilho (1719-1806).
[2]   Biblioteca do Seminário do Fundão, Livro das Capelas e nomes dos administradores de S. Martinho do Fundão, f.39.
[3]    Cfr. FALCÃO, Armando de Sacadura, Cabrais da freguesia de Nabais, termo de GouveiaViseu, 1971, pp. 198-220.
[4]       Cf. Escrituras Notariais de Castelo Branco, Mç. 13, Liv. 111, fl. 11. – Segundo se declara na venda que foi feita destas terras pelo seu derradeiro administrador Fernando Tudela de Castiho, senhor do Solar da Praça Velha, no Fundão.
[5]      A família CARDOSO era senhora de uma antiga casa solarenga, armoriada com a mais antiga pedra de armas existente nos solares albicastrenses. Esta casa situa-se no cruzamento da Rua do Arco do Bispo / Rua dos Peleiros, ao lado do Palácio dos Barões de Castelo Novo, também eles descendentes dos Cardosos.
[6]     Gaio, Felgueiras, Nobiliário, Tít. «Castilhos», § 6, N 4, Vol. III, p. 402
[7]     Competia a estes funcionários a superintendência, inventário e administração de
propriedades e bens da Coroa, sua contabilidade, escrituração e assentamento dos livros de contas e tombos.
[8]      O seu nome aparece grafado «Fernão» ou «Fernando» em diversos documentos.
[9]      IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Pedro II, liv.3, fl.238
[10]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Afonso VI, liv.3, fl.320v
[11]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, Ordens, liv.4, fl.342v
[12]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, Ordens, liv.4, fl.254
[13]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, Ordens, liv.4, fl.350
[14]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Afonso VI, liv.4, fl.257v
[15]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Afonso VI, liv.8, fl.394v
[16]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Pedro II, liv.1, fl.386v
[17]    Erradamente atribuído a D. Luís de Brito Homem (1748-1817).
[18]    ROSA, João Mendes Rosa, História Cronológica do Fundão, Fundão, Câmara Municipal do Fundão, 2005, pp. 61-62
[19]    Diogo Soares de Figueiroa (f. 1721), teve o último filho com D. Francisca Rodrigues, que foi Paulo de Castilho e Costa (n. 1716), nascido a 22-IV-1721 em Castelo Branco.
[20]    Informação facultada pelo Dr. João Mendes Rosa, que consultou documentação do arquivo da Casa Tudela Castilho onde se encontra uma escritura do tabelião Manuel Ferreira
da Silva, do Fundão, que menciona «fazer ao dito dezembargador (Fernando Tudela de Castilho) doassam para sua mulher Dona Maria de Sequeira (...) e em especial para sua filha Dona Isabel Maria de Oliveira e Vasconcelos»; assim como outras escrituras e documentos que fornecem diversas informações sobre outros elementos desta família.
[21]    Gaio, Felgueiras, Nobiliário, Tít. «Castilhos», § 6, N 4, Vol. III, p. 402 – Neste parágrafo Gaio, por lapso, troca o nome Fernando por Francisco, o que evidentemente é um erro.
[22]    IAN/TT, Tribunal do Santo Ofício, Conselho Geral, Habilitações, Gaspar, mç. 6, doc. 145.
[23]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, Ordens, liv. 9, fl. 151v.
[24]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Afonso VI, liv. 12, fl. 248v.
[25]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Pedro II, liv. 2, fl. 266
[26]    D. Joana Luísa de A. do Amaral (c. 1689) foi infamada de cristã-nova, pelo lado do seu avô paterno Luís de Barros Cardoso, como consta no processo para F.S.O. de Félix Tomé de
Freitas Morato (Cf. Maço 3, Dil. 34).
[27]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Pedro II, liv.15, fl.16
[28]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. João V, liv.8, fl.115
[29]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. João V, liv. 12, fl.53
[30]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. João V, liv.35, fl.367
[31]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Maria I, liv.9, fl.63v
[32]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. José I, liv.1, fl.102
[33]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Maria I, liv.9 (2), fl.64v
[34]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. João V, liv.25, fl.231
[35]    SIMÃO BOTELHO MALDONADO (c. 1685), era filho de Heitor Pinto Cardoso (c. 1678),
residente no Fundão, casado com D. Maria Marques Giraldes, da família dos morgados dos Giraldes em Idanha-a-Nova. Maldonado (c. 1634), o primeiro destes apelidos a ligar-se ao Fundão por casamento com D. Brites de Oliveira, filha de Heitor Pinto e de sua mulher D. Francisca Barreiros, ambos naturais do concelho do Fundão; bisneto materno de João Fernandes de Oliveira e de sua mulher D. Beatriz de Oliveira, 
[36]    Biblioteca do Seminário do Fundão, Livro das Capelas e nomes dos administradores de S. Martinho do Fundão, f.39.  – Há uma nítida junta/fissura de separação vertical entre a fachada da capela e a do solar da Praça Velha, a qual indicia que uma delas (a capela, aqui mencionada) é anterior à outra.
[37]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Pedro II, liv.2, fl.266
[38]    Cfr. IAN/TT, Registo Geral de Mercês de D. Maria I, liv.24, f. 255
[39]    IAN/TT, Registo Geral de Mercês, D. Maria I, liv.24, fl.255  
[40]    MONTEIRO, Maria de Lurdes Tavares, A mais honrada aldeia do reino, Fundão, e.a., 2001, pp. 72-76.
[41]    A recente descoberta desta escritura, e outras de contractos de compra e venda, que adiante vão mencionadas, deve-se ao Dr. José Martins Barata Castilho, que publicou o resultado da sua pesquisa em: http://joaodecastilho.yolasite.com/casa-dos-tudela-de-castilho.php
[42]    LUÍS DA SILVA MOUZINHO DE ALBUQUERQUE (1792-1846), moço fidalgo da Casa Real (1803), então sem meios de fortuna, era parente afastado e protegido de Fernando Tudela que muito o ajudou – provavelmente com os seus cabedais – tendo-se fixado no Fundão de 1814 a 1820, para aí se dedicar à agricultura, muito provavelmente nas terras cedidas pelo seu protector. Foi poeta (Geórgicas Portuguesas, Paris, Oficina Bobáe, 1820), engenheiro, cientista, e distinguiu-se nas lutas liberais. Ao longo da vida publicou uma extensa obra científica. Foi por várias vezes Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros (1835, 1842 e 1846), deputado às Cortes, Provedor da Casa da Moeda e Militar, foi ainda capitão-general e governador da Madeira. O seu filho primogénito Fernando Luís Mouzinho de Albuquerque (1817-1890), nasceu a 19-VII-1817 no Fundão, afilhado de baptismo de Fernando Tudela Castilho, e foi um erudito homem de letras e valente militar. Tomou parte activa na acção do “Chão da Feira” e na Batalha do Alto Viso (Patuleia) ao comando do Batalhão Académico, tendo sido gravemente ferido nestes dois recontros.
[43]    Cf. Escrituras Notariais de Castelo Branco, Mç. 27, Liv. 173, fl. 28.
[44]    Venda feita a 14-XII-1815, da qual consta que pagavam foro ao Convento de Nossa Senhora da Graça. in Escrituras Notariais de Castelo Branco, Mç. 12, Liv. 103, fl. 47.
[45]    Cf. Escrituras Notariais de Castelo Branco, Mç. 13, Liv.109, fl.40.
[46]    Cf. Escrituras Notariais de Castelo Branco, Mç. 13, Liv. 111, fl. 11.
[47]    BRANDÃO, Júlio, Miniaturistas Portugueses, Porto, Litografia Nacional, s.d., p. 18/19.
[48]    SILVA, Joaquim Candeias da, A Beira Baixa na Expansão Ultramarina, Belmonte, Câmara Municipal de Belmonte, 1999, p. 142.
[49]    IAN/TT, Chanc. de D. Manuel, liv. 8, fls. 10-10v.  
[50]    IAN/TT, Chanc. De D. João III, liv. 37, fls. 157v. e 186v.
[51]    Cf. BORREGO, Nuno Gonçalo Pereira – Cartas de Brasão de Armas, Vol. II, n.º 186. – CBA de Heitor Cardoso, dada em Lisboa por Filipe II, em 7-IX-1609.
[52]    Esta casa é actualmente do Dr. José Martins Barata Castilho.
[53]    Um estudo da nossa autoria – Casa Tudela Castilho … – (EBVROBRIGA, n.6, pp. 95-106; Fundão, Museu Arqueológico Municipal José Monteiro, 2009/2010), despoletou uma grande investigação para localizar esta casa, por parte do Dr. José Martins Barata Castilho, um dos descendentes desta família. Não só conseguiu localizar a citada casa, que em vão
procurávamos há muitos anos, e da qual actualmente só existem ténues vestígios, como acrescentou novos dados para o conhecimento do fim deste ramo familiar.
[54]    Feitas pelo Dr. José Martins Barata Castilho.